Ode ao Evernote

Sempre fui e sempre serei adepta ao papel. Ele tem um universo inteiro que se abre, como um espelho direto e reto para o cérebro. Em épocas antigas, eu diria que seria uma conexão direta com os deuses da criatividade. O papel é a ferramenta mais utilizada no mundo, sem a menor dúvidas e isso está começando a mudar.

Já lemos E-books (me inclua), levamos notebooks para a faculdade (me exclua), tiramos foto com smartphone, registramos nosso álbum de viagem não mais em álbuns lindos e caríssimos em capa de couro para ficar na mesinha de centro da sala, mas no facebook. Estamos caminhando para um mundo sem papel, mas eu não sei até quando ou até onde, o papel resistirá, ou se em alguma contracultura, a moda serão livros físicos e agendas de papel. Acho, que se isso for comparado com os hipsters de hoje, eu prefiro que meus filhos sigam a moda do obsoleto papel.

Tem um comercial legalzinho sobre a imortalidade do papel, embora ele trate de um outro papel…

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Persepolis – Marjane Satrapi.

É o tipo de livro que eu gosto muito: mão única. Abre, lê numa tacada só e vai para o próximo. Não num movimento maldoso de desprezo, mas por que ele prende do começo ao fim, você quer saber o que vai acontecer, quer saber se ela vai se dar bem ou se vai se dar mal. É, para começo de conversa, uma biografia em quadrinhos da autora – uma iraniana que nasceu e teve parte da infância numa monarquina e depois, a adolescência e vida adulta numa república. Era apenas uma criança no meio da Revolução Cultural.

Vale, antes de falar da prosa, dar uma enfoque na Revolução Cultural Iraniana: para quem ler “Persépolis”, vai entender do parâmetro histórico, pois ela o explica do geral para o particular, mas para quem não leu, não adianta eu falar da história, (sem o maldito spoiler, por que né…) sem ambientá-la primeiro.

Esta é a edição completa, os quatro volumes de uma vez.

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Novas Aquisições / Feira de Livros na EACH – USP Leste

Chega um tempo na vida de todo mundo que se tem que refinar a própria vida. No que vai trabalhar e no que vai simplesmente usar como Róbi. Eu, que não aprendi essas coisas quando devia, junto os dois e espero sair ilesa dessa.

Semana passada (se for contar que hoje foi domingo), fui na feira de livro da EACH. Lá, como dizia o evento no facebook, os descontos nos livros estariam em até 50% o diferente na feira, que esse até 50% de desconto não era uma incerteza de “o máximo de desconto que você vai achar por lá é um desconto de metade do preço”. O que eu achei foram todos nessa faixa de deconto, ou seja, no total, o preço (que não foi nada barato), caiu pela metade! Coisa que nenhum lugar físico ou mesmo virtual, vá fazer por mim. Você pensa, EACH, USP Leste, só tem Livro Universitário, mas não senhores! O que encontrei você vê abaixo..

Belezinhas. Desculpe pela (ótema) qualidade da Câmera. Já que o Blog inteiro pende para a esquerda, o alinhamento dos livros também.

De baixo para cima:

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Pensar fora da caixa e os danos da Versão Única

Comecemos de um ponto de partida em comum.

Desculpe, está em inglês e tem tradução embaixo, no link

Para quem viu o vídeo (ou já o tinha descoberto antes), ela trata de uma temática que a gente brinca de evitar, que é o maldito lugar-comum e os problemas de uma única versão, de uma única história. Principalmente nas artes, de evitar tudo o que já foi feito, de surpreender o leitor, de ir além do que já foram. Mas ao mesmo tempo, sem deixar que a escrita (que invariavelmente é da única arte que posso falar, já que não nasci para mais nada) se torne algo surreal (no sentido perjorativo) ou inconcisa.

Evitar o que já foi feito faz parte da evolução. “Push the human race forward”, como diria o finado Jobs. As referências dos antigos devem ser preservadas e incentivadas, mas não copiadas. Como da “emulação aristotélica”, que mesmo na cópia, ainda se preserva certa originalidade.

Uma referência pode ser um pontapé inicial, um incentivo para continuarmos, nosso livro de cabeceira, por que não? Mas não nos daremos ao trabalho de reescrever a obra que admiramos, para fazer nosso nome. Nomes importantes são torres difíceis de escalar, não meros degraus. A gente convive com grandes monumentos, podemos copiá-los na cara dura, fotografá-los e de uma ótica totalmente nova, recriá-los. Mas não podemos usar dessas grandes obras para pisar sobre elas e daí criar algo novo. Daí penso: e as teses científicas? Elas não usam de alguma forma as bases teóricas de grandes mestres para alcançar um conhecimento novo?

Gosto de pensar que degraus implica colocarmos o pé sobre o degrau anterior para nos impulsionarmos para frente. Não sei, me parece que assim ofuscamos o brilho do anterior, para alcançar o próximo.

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Sobre Pirataria, Arte e Produção

Cara, é muito estranho escrever num troço que parece que não tem ninguém lendo do outro lado – Ah é, mas não tem.

De qualquer forma, continuemos. Estava eu olhando um filme para ver mais cedo, quando entro no Itunes Store para isso. Pretendia pagar até então, por que né, vai que é bom. Tão falando bastante desse Som ao Redor ultimamente e cliquei. Ao que parece, o enredo é desconexo e o som ao redor é  poluição sonora. Inteligente. Vi nas críticas dos internautas que já o viram – aliás, confio mais em gente comum dando seu parecer, que especialistas. Gente comum fala palavras comuns, sobre coisas do lugar-comum, eu não preciso ler três livros e três enciclopédias, mais uma zapeada no google, para entender se o filme é bom ou não. – e fui para a zona dos piratex. […]

O Livro mais importante da minha Vida

Disparado, o Livro mais importante da minha vida foi o que me fez chegar até aqui. Tinha oito ou nove anos anos, estava fazendo a despesa do mês com minha mãe e eu lembro que na fila do mercado tinha aquelas prateleiras com bugigandas que ninguém compra, mas todo mundo olha. Hoje em dia aquilo está cheio de chocolates e revistas rápidas, mas antigamente (embora nem tão antigamente assim), Best Sellers disputavam espaço com os livros do Padre Marcelo, a Bíblia e outros de auto-ajuda.

Nem tava tão frio assim, tira esse casaco!

Mas voltemos às lembranças. Estava eu na fila do mercado com o carrinho lotado de coisa, e aquele livro olhando pra mim. Harry Potter. Lembro que demorei até para ler o título, por que eu não era como essa criançada de hoje, que saem do maternal sabendo pelo menos cem palavras em inglês, eu era normal. Daí peguei-o na mão, não pude abrí-lo, folhá-lo e tudo o mais, estava fechado no saquinho. Pedi-o a ela. “Bota no carrinho, se der, a gente pega”.

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Epopéia de Mulheres

Por ser fã de Charles Bukowski – Depois que a L&PM o colocou de volta na praça muita gente agora concorda comigo – seus livros fazem parte de minha estante. Mais que isso, minha estante é ocupada boa parte por seus livros.

Um que eu sempre tive carinho especial foi o “Mulheres”, cuja introdução começa com um sonoro “Muito cara legal foi parar debaixo da ponte por causa de uma mulher” e termina em “Abri pra ele uma lata de atum compacto Star-Kist. Embalado em água de fonte. Peso líquido 190 gr.”. No meio, como sugere o título, séries de mulheres.

Mulheres dignas, decentes, inteligentes e todo o estereótipo cabível no jargão “para casar”, nenhuma delas está com ele. Estas estão casadas com amigos, mas que ele tenta pegar. A que cai na conversa dele se desvirtua no caminho, mas antes, era uma boa mulher.

Os tipos que o acompanham são como o próprio Henry Chinaski, seu Alter Ego. (Para quem já leu “Misto Quente”, seu primeiro grande romance, já conhece seu caráter. Um anti herói americano, que vai contra todos as regras do American Way of life. Sofreu na infância pela loucura descabida do pai, na adolescência com espinhas/furúnculos, na vida adulta dividia seu tempo entre bares, trabalhos rápidos e insalubres, sempre acompanhado de suas queridas: as bebidas). […]

Sobre o que vão dizer de mim

Que eu sou muito pequena, Muito nova, Muito patética. Que pra dar opinião sobre qualquer coisa, tem que se ter experiências, citar fontes, Que não é qualquer panaca que sai por aí falando, que vai ser reconhecido como uma mente pensante. Vão me dizer – sim, nessas horas, prevejo o futuro – que eu devia Leia mais sobreSobre o que vão dizer de mim[…]