Sobre Pirataria, Arte e Produção

Cara, é muito estranho escrever num troço que parece que não tem ninguém lendo do outro lado – Ah é, mas não tem.

De qualquer forma, continuemos. Estava eu olhando um filme para ver mais cedo, quando entro no Itunes Store para isso. Pretendia pagar até então, por que né, vai que é bom. Tão falando bastante desse Som ao Redor ultimamente e cliquei. Ao que parece, o enredo é desconexo e o som ao redor é  poluição sonora. Inteligente. Vi nas críticas dos internautas que já o viram – aliás, confio mais em gente comum dando seu parecer, que especialistas. Gente comum fala palavras comuns, sobre coisas do lugar-comum, eu não preciso ler três livros e três enciclopédias, mais uma zapeada no google, para entender se o filme é bom ou não. – e fui para a zona dos piratex.

Som ao Redor

Uma coisa que me chamou atenção foram os dizeres do diretor do filme sobre gente como eu, que baixa, assiste apenas ou depois vai e compra o DVD, ou que faz sua própria cópia com direito a capa e encarte:

“Olá Amigos

Temos recebido muitos emails alarmados com um início de pirataria de O SOM AO REDOR. Peço que fiquem tranquilos, demos sorte, levou um ano e quatro meses para o filme finalmente cair na rede. Faz parte. O filme está tendo uma super carreira nas salas e chegou ao iTunes 3 semanas atrás, e agora virou arquivo de compartilhamento, como era previsto. O termo “pirataria” é meio complicado, na forma como é usada. Pirataria para mim é um esquema comercial de venda ilegal de filmes, meio baixo astral. Para esse pessoal, desejo que pisem num Playmobil descalços. Para os que não vendem ou ganham dinheiro com esse filme, mas querem vê-lo e querem que outros vejam através de torrents e troca de arquivos, a tecnologia existe, está disponível, usem-na com sabedoria. O SOM AO REDOR continua disponível para download no iTunes, onde a qualidade é excelente sempre e onde quem fez o filme será pago. Para mim, é como ir numa festa e levar uma garrafa de vinho ou vodka, ou umas latas de cerveja, para aumentar o nível de brodagem do encontro. Para quem não chegar com bebida, a festa (ou o filme) será bem recebido do mesmo jeito. Obrigado!”

De nada moço, que isso. Eu vou confessar que depois disso, pensei em alugar mesmo pela Itunes. A versão em HD sai, traduzindo de dólares para reais, por oito. É meio caro, se for pensar que o chinês da esquina (desculpem o cunho xenofóbico, mas há uma cultura das falsificações ou cópias não autorizadas que realmente provém da China. Nada contra vocês – exceto quando entro em suas lojas e os senhores começam a falar suas línguas na minha frente. Sinto como se estivesse sendo xingada ou zombada) faz cópias em massa do mesmo filme que eu aluguei por cinco “leal”.

Anyway, voltando ao tópico, em contrapartida, se eu for pensar que eu estou pagando à pessoa certa por isso, como refere o próprio diretor da bagaça, que estou dando meu rico dinheirinho ao produtor da obra, não sai caro. Isso, se o filme for bão, né? Com filmes, a gente não pode pedir o dinheiro de volta.

O que nos leva a outra questão que tem sido recorrente, sobre a pirataria nos livros. Se o livro tem sua qualidade duvidosa, eu não penso em gastar meu dinheiro, para descobrir se vou gostar. Eu baixo, leio. Se for legal, compro. Se não… Não. Foi o que aconteceu com alguns títulos (que eu não quero citar por vergonha mesmo). Na época eu tinha um Palm (!), baixava livros e os lia deitada na cama, luz apagada, maior charme. Uma série de quatro livros eu levei uma semana para ler. Era horrível, mas sabe aquela história, tá ruim mas tá bom? Pois é.

Lado Esquerdo – Empreendedorismo/ Lado Direito – Arte. E BAM! Salve-se quem puder.

Tem uma mina no TED Talk que fala exatamente sobre isso. “The art of asking”. As pessoas perguntam a ela: “Como fazer as pessoas pagarem por música digital?” E ela responde, sábia como aqueles senhorizinhos loucos por uma retórica “Não é fazê-los, é deixá-los”.

***Está em Inglês e não tem tradução, por favor não me xinguem!

O TED dela me deixa uma pergunta muito estranha na cabeça, do tipo: Por que filmes brasileiros não fazem esse tipo de coisa, não angariam fundos com seus fãs, não pedem por colaboração? Eu sei, que em contrapartida a isso, Designers sofrem por que os  clientes abusam dessa ideia de “caridade”, deixando que o trabalho seja assinado por seu criador, em troca de um desconto, como uma ideia de divulgação do trabalho, mas por que não, nessa troca entre fã/ídolo, não possa haver amor? Algum tipo de reciprocidade e contato?

Um exemplo nacional foi a banda Velhas Virgens – que eu gosto pouco, assim só pra avisar – que fez uma campanha num KickStarter ou semelhante, angariando fundos para um próximo CD, que eu fiquei sabendo tarde demais, mas que rolou até uma cervejinha da marca deles, num dos pacotes dos “prêmios” que ganhavam os fãs, conforme o tamanho de suas doações.

Sabe, a gente costuma reclamar muito do preço das coisas. Que pagar por Arte hoje em dia é só para os ricos e coisa e tal, mas por que então, não começamos num mecenato contemporâneo, baseado na amizade, confiabilidade e amor?

Game of Thrones foi a série mais pirateada não lembro em período de tempo, ou em relação a que, se foi uma pesquisa mundial ou limitada a países, mas pense bem. Os produtores da série lá do HBO estavam super felizes com isso, até agradeceram. E com certeza muitos do que assistem à série religiosamente pelas vias normais, ainda sim a baixam.

Se os livros serão a nova vítima da P2P, se serão alvos de autores sem cacife e fãs bondosos eu não sei, mas gosto de pensar assim. Talvez – quem vai saber? – a internet dite o nova forma de empreendimento e sustente essa Economia e Classe Criativa.

  • Como assim ninguém lendo!! Eu to lendo!! Li agora pela primeira vez!! Mas li oras!!kkk Está ótimo o blog, gostei muito do texto sobre APP para escritores! Era exatamente o que eu estava procurando e como cheguei a esse blog!!kk

    • Que bom ^^ Fé na humanidade restaurada!! Pra você ver, eu perdi tanto a fé, que tem mais de meses que eu não tiro as traças por aqui 😉