Nick Farewell: Go e Mr. Blues

Eu, que de tanto passar meu tempo lá, conheço a geografia inteira do inferno, finalmente consigo deslumbrar um pouco de céu.

Eu queria ter escrito isso. Se parece demais comigo, do jeito que eu gosto de pensar que eu escrevo. Mas não, você sabe, o título. Não se trata de mim.

Nick e um pente.

Gostar de um livro logo na primeira página foi fácil: Ele citou meu velho, citou Bukowski em Go. Citou Faulkner também. E começou com a história que podia muito bem ser a do nosso vizinho. O personagem principal fez publicidade a que tudo indica, numa Universidade Pública, mas não exerce o cargo. Como ele mesmo diz nas primeiras páginas, tentou encontrar vida no escritório, mas não conseguiu. É Dj. E por ser Dj, muita música está escrita na história. Música que existe, nada composto especialmente para o livro. Sendo Dj inclusive, que encontra Ginger.

Ginger, que ele encontra e já garante que o final da história seria feliz. E foi. Muy feliz.

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Como eu detestei as drogas, principalmente Morfina

Só por que no último post comentei que só tinha um livro que eu não tinha gostado de verdade, achei mais um. Ê boca! Tem 175 páginas, consumiu-me menos de um dia pra ler e na contracapa ainda tá escrito: “Clássico da Contracultura”. Vejamos, pelo menos eu, consumi Contracultura, principalmente Bukowski. Li quase todas as Leia mais sobreComo eu detestei as drogas, principalmente Morfina[…]

Hilda Hilst & Fluxo-Floema

Estou tentando fazer uma Biblioteca da Hilst. Ao contrário de todos os blogueiros que estão escrevendo sobre a Hilda ultimamente, ninguém está me pagando para isso. Já tinha lido “A obscena Senhora D” tem um ano ou mais e agora, to adicionando mais volumes. (Mas sim, morro de inveja desses que chegam em casa e tem pilhas de livros de presente na caixa do correio).

É triste que a Prosa de Hilda não seja reconhecida. É uma das melhores escritoras da atualidade e até a re-edição das obras dela pela Globo, era uma estrelinha que não brilhava. E pior, ela sabia que era uma estrela. Perguntava, indignada, do motivo de suas obras não venderem. De seus livros não emplacarem. Enquanto lixos por aí (nacionais mesmo, não vamos muito longe), vendem à balde.

Mas, como dizem os amigos da história, daqui sessenta anos, saberemos o que foi relevante numa época. É assim que saberemos dos presidentes, é assim que saberemos dos livros. Best-Sellers não perduram.

Brecht, Hilst e Gibson. Minha imensíssima coleção da Hilda.

Mas falar de todos de uma vez só não faz sentido. Desta vez, apenas Fluxo-Floema. Se eu ficar aqui falando o quanto os livros que eu posto são bons, perco a credibilidade. (Aham, tenho isso aos montes). Fato é que eu não posto as porcarias que eu leio, só aqueles que ficaram mesmo. Senão, não faz sentido criar isso aqui. Fluxo, claro, foi um desses.

Se bem, que pensando bem, só teve um livro que eu li de cabo a rabo e detestei. Então pra mia sorte, minha estante só tem delícias. E Fluxo me pegou pela prosa da Hilda, mas também pelo conto “Unicórnio”. O quarto dos cinco contos do livro, em que o “Eu lírico” se transforma em Unicórnio, recheado de grandezas. Morrer acreditando na bondade dos outros, enquanto é aprisionado apenas pelas maldades e desleixos dos mesmos. Talvez por isso que tenha se transformado num animal tão surreal. […]

A casa dos Budas Ditosos

Eu coloco minha mão no fogo, se Ubaldo Ribeiro não caçou no dicionário Analógico uma palavra do mesmo campo semântico que “Sexuais/Sensuais”, para chegar a “Ditosos”.

Estava eu no Sebo. Não sou muito fã de sebos, mas acabei qualquer dia num deles. Entre coisas da Hilda Hilst, dei de cara com A Casa dos Budas Ditosos. Qualquer dia antes deste, conversando com um amigo, ele me falou do livro. Era a época da febre dos 50 tons. Era qualquer diálogo em que tacávamos o pau na fanfic de Twilight, enumerando pelo menos uns cinco títulos melhores.

É claro: citamos Sade, citamos Milo Manara. Citamos até a Hilda, mesmo que a Hilda seja um tanto diferente. Anyway. E depois no sebo, meses depois, dei de cara com ele. Assim, para ler qualquer dia.

A Casa dos Budas Ditosos.

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