Como eu detestei as drogas, principalmente Morfina

Junky – Willian S. Borroughs

Só por que no último post comentei que só tinha um livro que eu não tinha gostado de verdade, achei mais um. Ê boca! Tem 175 páginas, consumiu-me menos de um dia pra ler e na contracapa ainda tá escrito: “Clássico da Contracultura”. Vejamos, pelo menos eu, consumi Contracultura, principalmente Bukowski. Li quase todas as coisas que ele publicou, exceto a poesia – não sou chegada a livros do tipo. E esperava, com a alcunha “Clássico”, algo superior, ou igual ao do meu velho.

Mas o que eu encontrei não foi bem isso. Ok, obedece piamente todos os quesitos da Contracultura. Vai fundo no estilo contrário de American Way of Life, fundo no submundo americano da época das Pulp, bem longe no quesito policias e vida no sentido de apenas existência. A única coisa que faltou, ao ver de uma leitora apenas, foi aquela faísca de vida, mesmo no meio da morte. Do desleixo da Contracultura, que revela a ordem. Aqui, em Junky, a história era só um viciado tentando se dar bem. Só. Eu senti que a ignição ia rolar em alguns poucos instantes e começar a deslanchar e esperei isso até a última página.

Sem spoiler que a história do Borroughs é velhinha então nem é necessário isso, os fatos da vida deles se passam com um Alterego chamado Lee, que demora um tempo para se viciar na Morfina e depois fica entre ir e voltar do vício. Allen Ginsberg, que faz uma introdução, conta que agiu como um “editor” e que a história foi mudada muitas vezes, até que fosse publicada, em nome da moral e dos bons costumes. Pelo menos, essa que eu li, era a edição definitiva, sem as mudanças feitas no texto, purinho.

Veja, eu não sou ninguém para atacar Borroughs e nem vou fazê-lo, esse é o meu primeiro contato com o autor. Mas, pretendendo ler mais coisas dele, espero de coração que essa impressão de que sua obra não me acrescenta em nada passe.

Quem traduziu foi um cara que eu gosto muito, o Reinaldo Moraes. Autor de Pornopopéia, que eu até inaugurei essa bagaça falando dele, mas que dessa vez, não sei. Se manteve a fidelidade ao texto original como acho que tenha feito, usar muitas vezes a palavra Junk (droga/morfina), foi muito cansativo. E as brincadeiras no texto com a tradução literal de certos termos do inglês não precisava ser explicada em parêntesis. Sinto que fui subestimada. Que eu precisava de uma babá pra ler.

Outra coisa, foi a edição: parece um livro de bolso. A capa é linda, adorei as cores, mas o papel da capa… Muito mole. Deformei o livro mil vezes antes de devolver à estante. Não tem orelhas com descrições, é só a capa e pronto. Seria isso tudo muito aceitável, se eu não tivesse pago quarenta reais por isso. Se fosse como os de bolso, que custam a metade do preço deste, nunca reclamaria da capa mole. Mas bem. Taí um livro que não releio, nem tiro da estante.