Nick Farewell: Go e Mr. Blues

Eu, que de tanto passar meu tempo lá, conheço a geografia inteira do inferno, finalmente consigo deslumbrar um pouco de céu.

Eu queria ter escrito isso. Se parece demais comigo, do jeito que eu gosto de pensar que eu escrevo. Mas não, você sabe, o título. Não se trata de mim.

Nick e um pente.

Gostar de um livro logo na primeira página foi fácil: Ele citou meu velho, citou Bukowski em Go. Citou Faulkner também. E começou com a história que podia muito bem ser a do nosso vizinho. O personagem principal fez publicidade a que tudo indica, numa Universidade Pública, mas não exerce o cargo. Como ele mesmo diz nas primeiras páginas, tentou encontrar vida no escritório, mas não conseguiu. É Dj. E por ser Dj, muita música está escrita na história. Música que existe, nada composto especialmente para o livro. Sendo Dj inclusive, que encontra Ginger.

Ginger, que ele encontra e já garante que o final da história seria feliz. E foi. Muy feliz.

Mr Blues e Lady Jazz é meio que continuação de Go, meio que paralelo. É sobre o personagem de Go e Ginger. Agora não consigo me lembrar se é em Go, ou Em Mr Blues em que ele escreve uma história de uma mulher russa que quer “fugir” para o Brasil. Acho que em Mr. Blues. Go, ele tá muito preocupado com encontrar Ginger e o sentido na vida. Em Mr Blues ele não está perdido, mas está.. Como diria? Situado nele. Meio perdido em si, não na vida. É meio que onde o personagem tenta se firmar.

Pelo menos, até onde posso me lembrar. Peguei esses dois meninos da estante hoje e toda vez que eu faço isso, sinto vontade de escrever. De sentar a bunda e sangrar, não só de abrir o computador e socar as teclas. Com Mr. Blues e Go (mais Mr Blues, que é mais bonito), é como se ele, só folheando, já tirasse o melhor de mim. Colocasse tudo na ponta dos dedos, torna o meu eu palpável. Coisa que gosto, coisa que gosto muito.

Zapeando pelo Google, vejo que não só eu tenho esse impulso. Gente tatua “Go” no corpo.

Nick é cheio de referências e não daquelas que você tem de conhecer para entender que aquilo é uma referências, ele cita autores, cita gente, coloca um excerto no meio do livro. Torna a imensa cultura dele, próxima. Ele sabe qual o público que o lê: gente que ainda não chegou lá ainda, mas que está tentando. Gente que não nada borboleta na literatura, mas já passou do cachorrinho.

Tanto Go, como Mr Blues, são profundos, mas as água são limpas. Pelo menos, é assim que vejo. Ele não as turva para mostrar profundidade, a piscina é funda por que é funda. Dá pra ver tudo, da borda. E nisso, nisso o Nick me ganhou.

Assistindo “Alta Fidelidade” (What comes first? Music or Misery?) , vi muitas cenas em que se parece com Go. Perguntei a ele num Twit, mas ele me disse que não, que Go não tem referências de Alta. Que tava mais para Brás Cubas. Acho que aquilo foi mei que uma piada. Que na hora fiquei pensando, como o protagonista dele (me foge o nome) pode ser como o Brás? Brás era um cínico, um mal caráter! Brás conquistava por seu descaramento, já o personagem dele me parecia bem sincero.

Capa dura, elástico, marca páginas de fita e páginas amarelinhas*.*
Segunda edição, branquinho (tava meio sujinho na livraria), capa dura, as páginas não tão gostosas quanto Mr. Blues