As Cavernas de Aço – Isaac Asimov

Num mundo onde somos acostumados a robôs virtuais e reais, tanto dentro quanto fora do computador, Cavernas de Aço não parece novidade. Num mundo paralelo, onde robôs não são apenas terráqueos mas também alienígenas, a divisão se dá em sociedades fechadas. Humanos com ódio de robôs, robôs com medo de humanos. A ameaça de que ambas sociedade os separa. Robôs e Seres Siderais de um lado, Humanos doutro. Humanos, separados em castas, com medo de perder seus empregos a robôs, Seres Siderais e robôs com medo das doenças que podem transmitir humanos.

As Cavernas de Aço – Isaac Asimov

Neste mundo, está um detetive humano Elijah Baley, obrigado a trabalhar lado a lado com um detetive Robô, Daneel, depois de um assassinato de um Sideral, cuja suspeita de que tenha sido por humano uma vez que, sendo siderais “Superiores” em intelectos e filosofias, um Sideral jamais assassinaria a outro.

No livro vemos duas tramas que seguem juntas: O assassinato solucionado no final da maneira mais mirabolante possível, a trama política de humanos amedrontados de perder o emprego, tão preocupados com seus próprios salários e modos de vida, que se esqueceram de evoluir. A Ameaça de ser substituído por um robô que custa menos para fazer o mesmo serviço supera a tudo. Se antes, os seres Siderais só chegaram à Terra por meio dos Humanos que colonizaram outros planetas em busca de recursos, agora tão pequenos, se colonizam. Mentem-se de que não precisam mais colonização, de que recursos durarão para sempre.

O Assassinato (isso é spoiler, eu acho), é de um professor que quer suprir essa lacuna, quer construir um robô que se pareça humano. Daneel, o investigador, é resultado desta experiência. Aí que as tramas se encontram. O medo de que humanos seja substituídos, a necessidade dos humanos que ultrapassam suas vontades.

É um livro de ficção científica sim senhor, que não faz o estilo de muita gente. Mas se somos versados no dom da interpretação e amantes da leitura com mais de um significado e mais que uma trama linear policial, veremos que alguns aspectos deste mundo paralelo é cópia não só da sociedade de cinquenta anos atrás, como também da sociedade de hoje. O medo da substituição é atual, metalúrgicos e profissionais da categoria de base ainda são substituídos (desde, é claro, que a maquinária vá custar menos que a mão de obra), ainda perdemos empregos para robôs que não precisam de salário. E se formos mais além, somos ainda divididos em classe, de acordo com nosso emprego. Coisa que acontece em Cavernas.

Se sou iniciante em Sci-fi, sou. Mas se depender de mim, não paro nunca mais. Ver enredos políticos em histórias fantásticas dá cabo para muita interpretação. Ler além das linhas é um prazer. Se você sente o mesmo tesão que eu, está mais que aconselhado a dar uma lida não só nessas páginas, mas nesse cara.