Literatura não serve pra nada. ME POUPE!

Somos treinados desde pequenos a narrativas complexas. Filmes com reviravoltas, personagens que morreram no meio do filme e voltam das cinzas numa continuação, as CutScenes que devem se chamar assim por que ninguém assiste. Tem ainda as novelinhas, os programas infantis (Castelo Rá-tim-bum, Rá-tim-bum, Os Saltimbancos). Tudo baseado em história. Se começamos lá atrás com aeronaves destruindo meteoros, a história nos trouxe a Trevor, Michael e Franklin. Vocês que sabem de videogame melhor que eu, não podem discordar.

Entretanto, não é de hoje que personagens são estudados na Literatura. Para criar VideoGames, pessoas estudaram Teoria Literária. Para Criar Filmes, estudaram. Antônio Cândido já falava da diferença de um personagem plano (Mario Mario, encanador “”Italiano”” que pretende salvar uma Princesa das garras de um Vilão), comparado a Personagem Elíptico, como o já comentado,  Trevor, de GTA V. Ou ele não é um Solitário que se apaixona pela Esposa Sequestrada, ao passo de ser um cara que não passou no exame Psicológico para piloto? Até de sua criação sabemos! O Papai violento e a mamãe tagarela…

Até jargões que hoje são usados para tudo. Épico por exemplo, veio da literatura. Não subestimando o leitor, mas você sabe que Épico é um gênero literário, certo? Ilíada e Odisséia (Não a do Espaço, ok?) e a Eneida de Virgílio…

Conceitos como enredo, peripércia e reconhecimento, reviravolta. Tudo literatura. E antes de virar essa coisa complicada (como GoT), era coisa pouca, com Moral no fim, história de gente sábia que viveu para contar, de Marinheiros que viajaram e ouviram histórias fantasiosas do outro lado do globo. Tudo se resumia a histórias que viajavam de pessoas a pessoas através da boca, no máximo em diários. Hoje temos o dobro de informação que aquela gente, mas as histórias mudaram. E mudaram muito.

Walter Benjamin que escreveu sobre o narrador e sua transformação no tempo, vai falar sobre o fim do trabalho artesanal que minou a narrativa. O início da televisão que transformou o leitor (ou o ouvinte) em leitor exigente. Se literatura não serve para nada, desconecte-se dos blogs, dos filmes, dos videogames e das conversas. Não use celulares, não imagine máquinas que te jogam e empurram no tempo e espaço.

Se literatura não serve para nada, como querem os estudantes incultos principalmente das exatas – eu tenho um ascozinho de engenheiro por isso, me desculpem os bons, mas os maus me irritam! – eles que vivam para o trabalho! Submetidos à própria condição. Livros meu bem, se você lê-los, por mais boba que seja a história, vai tirar seu cabresto. Mais cedo ou mais tarde vai perceber a semelhança que algumas histórias têm com a vida. Alguns autores tem o dom de transportar a realidade para um mundo imaginário e te ensinar pelo exemplo, te abrir pela indução.

Mas, nos dias de hoje, nada que não dê dinheiro é valorizado. Então tá.