Fast Food Versus Slow Food

Leitor Nulo, não troquei a frase de bem-vindo que vem no cabeçalho do blog, isso aqui ainda é sobre livros. Só que…

Como, no Fast-food que é a internet, posso tratar da Slow Food, que são os Livros?

É uma pergunta que eu faço e não consigo me responder. Manter periodicidade é uma premissa de um blog. Com a pressão das redes sociais, diminuir o ritmo é suicídio. Manter um leitor fiel com um post por semana é quase impossível. Quantos livros eu, com vida social (hipoteticamente falando, claro) posso me dedicar a mais que um livro por semana? Como posso resenhar livros mal e porcamente como tenho feito até aqui, mas ainda sim resenhar, se não consigo sequer lê-los? Um livro por semana numa semana fácil, eu diria. É uma média até que bem modesta. Gastar todos meus tempinhos livres numas páginas. Ir e voltar de transporte público e ler no caminho. Essas coisas e tal, que todo mundo faz.

Levar a tradição latina e milenar para os tempos atuais, das frases curtas, das quinhentas palavras que devem ser relevantes, do facebook e dos 140 míseros caracteres do twitter. Eu nunca me adaptei ao twitter, não consigo falar nada que seja breve e ainda sim, inteligente.

Não quero entretanto, virar vitrine de livros. E esse é meu problema. Olha esse livro! Tem na livraria tal, por x preço. Incentivar a leitura sim, mas sem aquela obrigatoriedade de mostrá-los enquanto produto. Por mais que hoje ganha-se algum dinheiro com eles, não são peças de promoção. São agora objetos de consumo e particularmente adoro comprá-los, mas não são, pelo menos na teoria, produtos. Livros é o paraíso de Borges e o Céu de Blake. Ninguém pode botar preço neles. Não podemos virar loja. E eu não posso virar uma propaganda duradoura.

Resenhar é um nome muito polido para o que eu faço e tenho feito até aqui. De um ponto acadêmico e dicionaresco. Eu falo deles, mas penso, tem mais a ver comigo, que com eles. É como se eu tratasse dos livros não por eles, mas do reflexo e das cintilâncias que rebatem em mim. O que eu acho deles. Picaretagem? Claro!

Esses dias atrás mesmo, estava meio caída por caos pessoais e for terminar um livro que hoje estou toda radiante. Mais, arrisco dizer que escrevo melhor, só com a graça das luzes que reverberam (sinestesia?) em mim. Hoje resgatei do fundo do cérebro palavras mais bonitas que até dias atrás, eu buscava o dicionário analógico. Ler ativa todo um sistema complexo que me encanta. E é por isso aliás, que eu estou aqui. E em muitos outros lugares.

Ao passo que isso acende o melhor que há em mim, deixa meu caderninho internético sem graça e minguante. É bonito, colorido e tal e tudo, mas falta aquela faísca que eu teimo em chamar de divina. Algo que eu quero passar a esse leitor Zero, só não sei como diabos eu faço isso.

Sinto que para levar para o leitor (Nulo, Zero; chame-se como quiser. Posso falar seu nome se eu o souber) falta muito. Faltam mais que uma estante cheia, internet e um teclado. Falta toda uma experiência de amor e doação, que eu não sei passar. Se na vida Real demonstrar amor me é muito difícil, sem poder sequer olhar para meu interlocutor me parece insano.

E ainda, eu continuo aqui. Fazendo sei lá deus o que. Só sei que permaneço. Talvez seja muito mirabolante e pretensioso da minha parte desejar dar a experiência da leitura, sem que o sujeito tenha lido. Talvez seja ainda mais pretensioso garantir qualquer graça ao leitor, que não seja sua própria relação com o livro. Seus próprios meios de atingir a graça.

Ao mesmo tempo que não quero largar isso aqui, não consigo proporcionar uma experiência que faça diferença. Por que se for escrever por escrever, qual seria então a graça da coisa?