[Resenha] Um Cântico para Leibowitz

Outra coisa que me prometi, foi de escrever mais aqui, querido senhor Leitor Zero. Comprei o Cântico na feira do livro da USP e como me prometi desencalhar leituras, esse foi o escolhido da vez. Se a gente seguisse com a ideia da Úrsula K. Le Guin, sobre o que é a Sci-fi, eu ficaria muito frustrada de só dizer que o livro se trata de um “e se…”. Mas por partes, é bem isso. E se, depois do dilúvio que os católicos acreditam ter acontecido de fato (aquele, da Arca de Noé), viesse outro dilúvio, como também crêem os católicos (O autor, Walter Miller Jr, é católico convertido depois de lutar muito na guerra, mas, perdoe o comentário, não foi o suficiente para manter a cabeça longe da arma, depois do falecimento de sua esposa), só que dessa vez, de fogo? E se esse “fogo” fosse radiação? Eis o ponto inicial de nossa história.

Advirto ao leitor que não se trata entretanto, de um simples “contar de fatos”. É esse o cenário que permeia a trama, mas não é ele o ponto principal. Aqui, o ponto principal, digo eu, é o que acontece com a igreja e que papel ela vai assumir, quando o apocalipse termina. Sendo hoje em dia tudo digitalizado, tudo contabilizado em planilhas, quais conhecimentos seriam essenciais e quais sobreviveriam a uma catástrofe radiativa?

Leibowitz e uns migos
Leibowitz e uns migos

E, por mais estranho nos pareça, ainda que em pleno 2014, alguma partição da igreja que viva para manter o conhecimento científico vivo, é por isso que se canoniza o Santo Leibowitz. Diferente da Fundação do Asimov, há guerra e a igreja não pode contê-la. O livro se divide em três partes. O Fiat Lux, Fiat Homo e o Fiat voluntas Tua (que não tem nada com o carro, como alguém que eu não quero dizer, pensou, já imaginando uma clara cópia do Lord Ford, do Huxley, n’Admirável Mundo novo.

Nestas três partes temos cortes temporais bem grandes. Então muita coisa acontece, muito personagem aparece, muito personagem some. Eu diria, não tem um protagonista. Parece que a Igreja é a heroína que quer salvar a mocinha indefesa – a humanidade. Tem uma ordem nas coisas e ninguém questiona, ninguém interfere. Aos moldes católicos, as coisas são “x” por que o são e você não pode ir contra.

É muito interessante o fato de juntar ciência e religião e fazer as duas darem as pazes. Fazer a ciência, moleque mimado que não aceita ordens da mãe, ter de ser salvo por ela. Um tapa na cara de toda Ficção Científica, né? Que ficção hoje, digo, quando foi lançada, em 1959 (ganhou o Hugo Awards de 1960, faz uma crítica tão sutil à ciência e sua arrogância? Bem comum a gente ver por aí alunos, das exatas principalmente, se proclamando ateu.

Veja, eu não tenho nada com isso, sou eu das humanas e das letras. Mas imagino quem leu, principalmente o True Nerd de calça cáqui, camisa de manga curta e aparelho nos dentes, que tinha aquela carta na manga de ser mais inteligente e mais racional que seus coleguinhas, ver sua amada ciência ser protegida por nada mais, nada menos que…

… a Igreja.

E por outro lado, a Religião (vamos parar de usar a palavra “igreja” né?) confia na ciência para salvá-la. A função da igreja aqui foi de vital importância. Isso vale o livro. A junção das ideias e de temas que todo mundo diz que não quer confrontar – a não ser que seja para a Discovery Channel, que adora fazer uma polêmica.

Enfim. Posto mais coisas sobre o livro no Vídeo (que eu devia ter feito, mas sabe como é… Fiz, não ficou bom, estou refazendo).

Tem essas bordas tortas por que fotografei torto xD
Tem essas bordas tortas por que fotografei torto xD