Algumas coisas que aprendi nos poucos meses de Wattpad que tenho

(Manifesto: um escrito declarando publicamente as intenções, motivos, ou visões do Manifestante)

Tem sido uma experiência do caralho. É a primeira coisa que eu digo. Talvez não seja bom começar falando desse jeito, então vou começar de novo.

Amanda Palmer, musicista que mostrou os peitos no palco, esposa do Neil Gaiman. Maria Popova, curadora do “Brain Pickings“, a pessoa mais produtiva da terra, que chega a produzir três posts por dia, com mais conteúdo sobre literatura num único post, do que eu nesse blogzinho xexelento inteiro. O que elas têm em comum? O trabalho delas é de graça. Não de graça como NetFlix, que você paga apenas uma vez por mês e usa o quanto quiser, nem de graça como Spotify, que tem o mesmo mecanismo. Não de graça como aquele PDF que a gente lê na internet, nem de graça como o facebook, que você não paga, mas te lotam de propaganda. De graça. A zero custo, a zero propagandas.

Elas vivem de doações. Elas abriram as porteiras e agora os outros estão fazendo o mesmo. Qualquer quinze reais por mês é chamado de doação e quem não dá esses quinze reais continua participando da festa. Isso se chama “Dar suporte aos artistas”. Mecenato contemporâneo. Nós, classe média, estamos dando o que nós temos (nossas horas de estudo e dedicação) para um público que quer receber isso. Quer modelo de vida mais interessante e pacífico que esse? Poder viver “da sua arte” (finjamos por um momento que o que eu faço não é lixo, mas arte), sem se vender, sem se preocupar com as contas, cercado de gente que te ama e te admira. É a vida que eu quero viver. É, definitivamente a vida que eu quero viver.

E é isso o que aprendi com o Wattpad. Aprendi que a partir do momento em que parei de escrever para mim e comecei a escrever para os outros, os outros me receberam. Têm me recebido e isso é sensacional. Não consigo viver disso ainda, mas quem sabe um dia? Você pode imaginar um troço na internet, logo na internet, terra de ninguém e dos mal amados, term 450 mil visualizações (Edit: 1,8M) e NENHUM xingamento? Ninguém que desceu o nível, ou que foi lá me odiar só pelo prazer de me odiar?

Pior. Pode imaginar 450mil visualizações, oito mil (Edit: 20Mil) leituras em média por capítulo, de gente sempre pedindo mais? Com medo de que a história acabe? Pior, chorando capítulo por capítulo? Pode imaginar você receber tanto amor por uma coisa que você deixou mofar na gaveta? Sinto muito, eu não posso. E olha, nem terminei ainda.

Aí o amor ficou mais íntimo. Fiz lá um grupo no face. Não tem um dia que não tem *homens sem camisa*, *Christian Grey” e muito amor. Recebi uma capa nova pro coitado do meu livro, de uma leitora (Beijo, Kartalian!). Recebi em casa uma cesta de doces mineiros (Beijo, Nahra Mestre!). Fiz um sorteio entre as pessoas do grupo. Coisinhas que vão sair e não posso contar ainda. E as amizades. Poder falar o que se quer sem medo de ser feliz entre o público majoritariamente feminino. Cara, sinto muito, mas é essa a vida que eu quero viver.

Se eu não fizer um sucesso retumbante… Tudo bem. A minha ídolo maior, dona Hilda Hilst, maior inovadora da literatura Brasileira depois de Guimarães Rosa morreu eu 2004, foi estudada na França primeiro, agora que os Brasileiros estão olhando para ela com mais cuidado. A Academia Brasileira de Letras, suponho, ainda a chama de “Conteúdo Religioso”. E estão estudando Jorge Amado. Então… Se eu não fizer um sucesso retumbante, eu não me abalo. Acho que o que eu vou levar comigo, mesmo se eu nunca mais escrever mais uma linhazinha sequer na vida, é todo esse círculo de amor. Ninguém se esquece de uma coisa dessas.

E olha, foi só um troço de internet que nunca nem ganhou a vida real. Por isso, eu digo… É do caralho.

  • Edit: Voltei para ler isto quase um ano depois. Se a Camila daquela época soubesse o seria terminar o Dio e engatar mais três lindezas direto, ela teria escrito, em Caps Lock, o que “DO CARALHO” representava para ela.

 

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