suficiente?

“Mas você diz que sente o mesmo

            Poderíamos ser o suficiente?”

 

A vida é bem cruel às vezes com a gente. Quantas vezes olhar no espelho é uma missão para os mais fortes, porque não é só olhar, mas ver algo bom na imagem ali projetada…

Estamos sendo criados para sermos um estereótipo maravilhosamente inalcançável em sua totalidade. Vivemos numa busca insensata e infindável de sermos esse estereótipo e esquecemos de que a gente, na verdade, não precisa ser isso e nem completar um outro alguém ou ser completado por ele, na verdade a gente precisa se completar.

Talvez essa frase tenha saído tão opressora quando todo o resto, mas se completar não é ser tudo aquilo que a mãe, o pai, o irmão, o vizinho, o crush, o relacionamento, o professor, a faculdade, os amigos, a sociedade, pedem. Ser completo é se amar do jeito que é.

Não é fácil, acho que nunca foi e que nunca será. A gente olha pro espelho e se repele, a gente se compara ao outro, se compara ao nosso passado e até a um espectro utópico da gente num futuro, a gente não gosta de uma parte, a gente não se gosta por inteiro, mas é aquele velho ditado: se a gente não se amar quem é que vai?

Só que a gente pode encontrar alguém que nós ama sim, mesmo que a gente não se ame, mas será que a gente vai estar pronto pra receber esse amor? Será que colocar no outro a missão de nos amar por ele e por nós é certo? Será que vai dar certo?

É o mesmo que amar só o outro… Será que é certo a gente amar tanto alguém ao ponto de deixar a gente pra lá, deixar nossos sonhos, nossa vida SÓ pelo outro? Será que depender tanto assim é bom?

Viver vai ser sempre complicado, vai sempre existir perguntas que a gente não sabe responder, vai ter também aquelas que a gente até sabe responder, mas não sabe viver a resposta.

Em um sonho utópico que eu tenho todo mundo vai se amar e encontrar alguém não pra se completar, mas para se transbordar… Nesse sonho eu vou viver isso também, nele a Viviane aqui vai amar tanto a Viviane que não precisará de tantos artifícios e mentiras para viver mais um dia…

Nesse sonho utópico a gente vai viver numa sociedade que se respeita, que dialoga, que brinca, sorri, cresce e não vê a aparência, a cor da pele, do cabelo, dos olhos, o valor da conta bancária e tantas outras coisas como determinantes…

Nessa utopia a gente vai ser suficiente.

Na minha esperança hoje a gente já é.