Ciúmes – Mal Necessário?

Então, ontem vi uma dessas postagens que te deixa com os nervos à flor. (Quer dizer, ultimamente é tanta merda acontecendo que tem um post por metro quadrado que existe pronto para te dar nos nervos – mas ignoremos a política atual, só hoje).

A postagem consistia em:

 

E eu fiquei pensando… Quem é a pessoa que casa/namora/vive junto para ter do lado um fulano desses? Revoltado por nada, dissimulado, reclamão e muito com mania de perseguição? Eu não, obrigada. De problema bastam meus boletos. E é engraçado pensar que tem gente que acha lindo um marido desses. Acha saudável uma relação em que o cara controla até o tamanho da sua roupa. (vai, vou chamar de sujeito porque para ser marido o cara tem que ser O Cara e isso daí passa longe até de ser medíocre).

A gente não sai de debaixo da asa dos pais para entrar debaixo da asa do marido / namorado. É lindo ser cuidada, amada e respeitada, mas isso tem um limite. A gente não namora os pais, não quer saber de dar satisfação a um sujeito que tem a nossa idade. E é surreal a quantidade de relacionamento que se baseia em *celular com senha* *saber a senha do e-mail do parceiro*, *whataspp travado* e *vou apagar isso antes que meu marido veja*.

Gente… Eu não sou ninguém na fila do pão, ninguém mesmo, mas uma coisa todo mundo sabe, esteja onde esteja na tal fila do pão: tem uma coisa chamada confiança e lealdade. Se você firmou compromisso, então você é inteiramente responsável por manter este elo de confiança. Você é o responsável pelo cuidado que tomas, a paciência que exiges e os caminhos que segues. Mas não pela pessoa que cativas.

Ela continua sendo ela, você continua sendo você. E tem uma coisa que a vida vai cobrar lá na frente que é a individualidade. Eu, às vésperas de fazer 13 anos de namoro+casamento entendi logo que às vezes ele parece comigo e eu pareço com ele. Em muitas coisas e maneiras de falar a gente contamina e é contaminado, mas, mesmo assim, não somos a mesma pessoa. Não pensamos igual, não agimos igual e não reagimos igual. E quando uma pessoa quer o controle sobre você, ela quer que você seja e faça as coisas exatamente como ela faria.

Entende o perigo disso? Você deixa de ser você, a pessoa maravilhosa que é, e passa a fazer as vontades de outra pessoa. Namoro é isso? Ceder e ceder e ir até onde o outro quer que você vá, nunca além, e, mais, nunca sozinha?

Um cara que monitora quanto tempo você demora a responder é perigoso. Talvez não fisicamente, mas mental? Certeza. E os livros estão cheios desses caras que vão colocar uma rédea curta em você, vão te pegar pela mãozinha e vão te colocar onde eles querem que você vá.

Eu pensei, ó que besta, que a vida é para a gente testar, brincar, quebrar a cara e fazer cagada. E vem um cara dizer como quer, onde quer, quando quer e quem? Véi… (pausa para um respiro cansado) como assim? Pensando do ponto de vista da ciência, já parou para pensar o quanto a nossa vida é frágil? O quanto de cagada *do ponto de vista evolutivo, tá?* teve que acontecer no universo e, depois, para que seus pais se encontrassem e tivessem você, para você doar essa coisa preciosa e cagadíssima na mão de um sujeito que não sabe nem ficar de boa?

Honestamente, eu não acho que haja um limite aceitável de ciúmes. Eu, Camila. Porque é desperdício de energia e não é demonstração de afeto. É meio que brigar por nada, sabe? Só que algumas leitoras com quem conversei abertamente antes, acham que sim, que ciúmes é bom e tem que ser dosado.

Qual o limite? Ele se incomodar com a presença de outros machos? Ué, sempre terão. Mais bonitos que o seu amor, menos bonitos, mais gentis, mais engraçados… Ué. É a vida. Rodrigo Wilbert existe, gente. Ó que homão. Isso não desfaz o amor nem o compromisso que assumi com o meu marido. Eu conversar com um cara muito gato no ponto de ônibus não quer dizer que eu vá transar com ele. Eu receber carona de um cara muito gentil não quer dizer que eu vá dar para ele. Ele receber uma cantada de uma mulher na rua também não quer dizer que ele vá querer transar com ela.

Eu acho, eu, Camila. Quem tem ciúmes, tem falta de segurança. Tá faltando afeto, carinho, demonstração de cuidado. Ou a pessoa tem algo mal resolvido ou é ela quem não tem fidelidade / lealdade suficientes e desconfia dos outros. Confiança não é base de relacionamento? Então… Ciúmes fica onde? Quer dizer, qual é o lugar do ciúmes saudável no meio de uma relação saudável?

Porque se tem amor, não tem espaço para controle, cara. Se tem amor não tem espaço para monitorar curtidas, monitorar tamanho da roupa, não tem Dono. Se existe um que manda e outro que obedece, desculpa, isso não é amor. Hierarquia é coisa de empresa, escola, prisão. Não de amor. Duas pessoas resolveram se unir e uma delas resolveu baixar a cabeça? ATA.

Por outro lado… Se tem ciúmes tem medo de perder, né? Tem medo de não ser bom o bastante e tem a insegurança por não ser o melhor partido do mundo. E isso é bonitinho, eu acho. Saber que a pessoa se preocupa de estar com você amanhã ou de ser abandonado. É esquisito esse limite. Quando eu me deparo com este lado da moeda e vejo que não tenho ciúmes do meu marido e isso quer dizer o quê? Sei lá, pensamentos doidos.

Aqui não rola ciúmes e é engraçado isso porque eu sei que sobra amor. Um esquece de contar das coisas para o outro e fica chateado. As brigas são para ver quem põe o sorvete depois da janta ou quando ele buzina para um corno no trânsito (sério, odeio quando ele buzina).

Mas, vai além do olhar a bunda da menina que passa porque é, afinal, só uma bunda. E eu provavelmente vou olhar também.

  • Camila Sauin

    Já tô encaminhando esse email para o meu marido. Veio na hora certinha <3