Cursos que a Gente Nunca Pensa em Fazer

Como escritor do Século Vinte e Um e inserido no meio digital desde o nascimento, num mundo que se acostumou a se comunicar por telas e teclados e onde a escrita é o veículo, como começar a fazer a diferença e se destacar?

Nos séculos anteriores, o livro era caro, a educação era excessivamente cara, o acesso a informações era restrito e, com esta gama de privilégios que os autores anteriores possuíam para escrever um livro, era possível falar de genialidade. Hoje, a internet muda tudo. É possível saber em quantos segundos uma pessoa leva para morrer enforcado. Quantos dias uma pessoa pode ficar sem comer, É possível sanar, em segundos, dúvidas que antes seria preciso anos de estudos.

E veja, não estou reclamando.

Um Mundo Sem Gatinhos Fofos?

Só que com a facilidade da pesquisa, com a influência de jogos, filmes, músicas e novelas, ser escritor do século vinte e um perpassa o privilégio. Um editor de texto, um acesso a internet e um pouco de sorte, bastam. Sorte? É, é o que todo mundo acha. Basta sorte e um trabalho muito bom que automaticamente todo mundo fica sabendo.

Mas a gente esquece que um trabalho muito bom invisível é um trabalho muito bom só para quem o escreveu. E ele não será lido, não será comentado, não será resenhado, não será amado. Apenas não será.

E você não é louco de duvidar da quantidade de trabalhos bons esquecidos nas prateleiras, nas gavetas, na lista interminável de possíveis leituras de um leitor, né? Eu mesma, na minha estante, devo ter uns cinquenta livros muito bons e pouco conhecidos que não alcançaram tanto bafafá quanto os medianos ou outros muito bons que passaram na frente da minha lista de leitura só porque me disseram que valia a pena. Só porque foi comentado, mencionado, amado ao ponto de ser contagiante.

Como escritora, me vi na dualidade de trabalhar nos meus livros e nas propagandas deles. Século Vinte e um também precificou arte e produtificou o livro. Também colocou um preço, uma oferta, uma demanda nas lágrimas, no suor e nas dores e a internet está aí. Meu público está todo na internet e gasta sete horas por dia nas redes sociais.

E para isso, me vi na obrigação de competir como “vendedora” de coisas. De ser vista. De ir onde eles estão, vender meu peixe e dizer, por eu mesma e, por vezes, pelos outros, o quanto o meu “produto” é bom e merecedor dos trinta e cinco reais que coloquei que valia.

Entrei num curso “rápido” de marketing digital que, espero, vá fazer com que meu trabalho não seja esquecido na prateleira e que não fique para trás nas listas dos leitores. Passei a ver com olhos de “administradora e marketeira” (com muitas aspas, tá?) o que eu só via como amor.

Porque ninguém é bobo de dizer que amor enche barriga, só que eu quero que encha.

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Texto produzido para o projeto (2) da Udacity Marketing Nanodegree.