Sobre o Lugar que a Arte ocupa

Não tem nada de errado em ser pago pela arte que a gente faz. Antes eu me sentia muito culpada por isso, mas agora, quase Dois Mil Livros *em letra capitular porque eu acho esse número foda e grande bagaday* depois, já entendi que escrever é um trabalho e que escrever tem que ser fonte de renda.

Mas ao mesmo tempo eu tenho medo dos livros que a gente faz só pensando no dinheiro. Produzir pensando no boleto e no vencimento do aluguel, (ou do carro) faz a gente produzir não o que eu gostaria, mas o que o mercado pede. E atender à demanda do mercado tem mais a ver com a produção e o mercado, que com arte.

Acho que isso é um dilema que atinge todo mundo da classe criativa, porque produzir uma peça foda para não ter um maldito para olhar não adianta.

Faz parte do artista *umeno, de mim* o querer ser visto. O ser lido, ou consumido, de fazer parte da vida das pessoas. E o paradoxo é justamente esse, né? A gente quer fazer uma arte foda, quer ser lido, quer fazer sucesso e quer dinheiro.

E, já entendi: não tem nada de errado com isso.

O problema que eu estou apontando (e que o João Verde já apontou) é que a pressão da próxima arte é pior. Porque a gente sabe que quando sai de um grande lançamento (Como os Ferreiras foram para a minha vida) a gente precisa sustentar o sucesso e não afundar. E daí é que vem os pensamentos sobre dinheiro e se vamos ter o suficiente para o mês que vem.

Eu vejo colega de profissão escrevendo o que vai ser vendido e deixando de escrever o que gostaria todo santo dia. E eu entendo que eles têm que colocar comida na mesa tanto como eu.

Mas na mesma balança está não só o boleto, mas o tipo de pessoa que a gente va

Porque se arte é contato, o público influencia tanto o artista como o contrário.

i ter ao nosso redor enquanto consumidor da nossa arte, enquanto base de fã para nossos próximos lançamentos e quais as mensagens que eles têm para passar para mim.

Porque se arte é contato, o público influencia tanto o artista como o contrário.

(Mas eu não tô falando que quem consome best-seller não pensa). Eu tô falando que se a gente não é honesto com o público e se a arte não parte do coração, a gente tá se contaminando e contaminando os outros com uma grande mentira. E por mais que eu saiba que escrever sobre um CEO vá render muito $$, eu, com o público que me conhece, com a mensagem que eu passo, jamais conseguiria manter qualidade e sanidade no mesmo nível se for para pensar em dinheiro.

Porque seria como me vender por uma soma de $ que eu sei que eu vou torrar. E depois eu vou continuar pensando em outras estratégias de comércio para manter uma boa venda, para manter um bom rendimento de capital, e vou me destruir no processo porque antes de vender a arte que eu produzo, eu boto a minha alma na minha arte.

Por isso eu tô abrindo uma loja de adesivos de planner. Por que eu gosto disso, eu sei fazer isso, eu estudei para isso, eu acho isso um máximo, e deixa a minha arte e a minha alma em paz.

Eu posso voltar para o Wattpad sem culpa, eu posso inovar, brincar com as palavras, eu posso inclusive errar sem prejudicar nem a minha renda, nem a arte.

Por que, tipo, escrever é quando eu posso ser eu. E ninguém bota preço em mim.

(Mas cada cartela de adesivo custa 7 reais).

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