Você pensa: Eu vou começar um blog

Você pensa com seus botões: devia ter um canto seu para guardar suas bugigangas. Um canto “””acessível””” onde você pode despejar todos os seus dejetos, onde pode falar das paixões e das desgraças, pode separá-las por categorias e sair escrevendo nele como se fosse um querido diário Internético.

Só que temos leitores (temos?). E isso me deixa acanhada. Eu penso que, se vou escrever um Blog, então que ele tenha um motivo, que tenha um tema, que tenha um pra quê. Botei meu “pra quê” como livros. E tem funcionado, até. De certa forma. Só que eu não gosto de ler um livro e vir aqui dizer do que eu li, uma mini-resenha ordinária que nada mais faz do que um resumo do que foi lido com uma opinião no último parágrafo. Eu não quero só isso, não faz sentido vir falar de um livro que eu li, mas pode ser que o leitor não tenha lido. Fica um monólogo sem ninguém para rebater o conceito que formei do livro. E as vezes, nem é um livro super difícil, é só um livro que entrou na minha cabeça e eu pensei sobre ele.

Se a gente se junta para ler um livro, o resultado vai sair o mesmo? As pessoas que se vangloriam de ter lido, elas consomem o produto, ou estão refletindo aquilo, levando consigo uma parte do que compraram? Se eu pergunto o que fulano achou do livro, fulano me responde “Ah, legal”. Sim, legal, mas o que mais? Se eu quisesse saber quantas estrelas você daria, eu perguntava, mas não foi isso. Não quero o termômetro, quero saber o que te prendeu pra ler até o fim, o que te marcou de verdade, qual a graça na bagaça.

Rimei. Mas foi sem querer.

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Pensar fora da caixa e os danos da Versão Única

Comecemos de um ponto de partida em comum.

Desculpe, está em inglês e tem tradução embaixo, no link

Para quem viu o vídeo (ou já o tinha descoberto antes), ela trata de uma temática que a gente brinca de evitar, que é o maldito lugar-comum e os problemas de uma única versão, de uma única história. Principalmente nas artes, de evitar tudo o que já foi feito, de surpreender o leitor, de ir além do que já foram. Mas ao mesmo tempo, sem deixar que a escrita (que invariavelmente é da única arte que posso falar, já que não nasci para mais nada) se torne algo surreal (no sentido perjorativo) ou inconcisa.

Evitar o que já foi feito faz parte da evolução. “Push the human race forward”, como diria o finado Jobs. As referências dos antigos devem ser preservadas e incentivadas, mas não copiadas. Como da “emulação aristotélica”, que mesmo na cópia, ainda se preserva certa originalidade.

Uma referência pode ser um pontapé inicial, um incentivo para continuarmos, nosso livro de cabeceira, por que não? Mas não nos daremos ao trabalho de reescrever a obra que admiramos, para fazer nosso nome. Nomes importantes são torres difíceis de escalar, não meros degraus. A gente convive com grandes monumentos, podemos copiá-los na cara dura, fotografá-los e de uma ótica totalmente nova, recriá-los. Mas não podemos usar dessas grandes obras para pisar sobre elas e daí criar algo novo. Daí penso: e as teses científicas? Elas não usam de alguma forma as bases teóricas de grandes mestres para alcançar um conhecimento novo?

Gosto de pensar que degraus implica colocarmos o pé sobre o degrau anterior para nos impulsionarmos para frente. Não sei, me parece que assim ofuscamos o brilho do anterior, para alcançar o próximo.

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Sobre o que vão dizer de mim

Que eu sou muito pequena, Muito nova, Muito patética. Que pra dar opinião sobre qualquer coisa, tem que se ter experiências, citar fontes, Que não é qualquer panaca que sai por aí falando, que vai ser reconhecido como uma mente pensante. Vão me dizer – sim, nessas horas, prevejo o futuro – que eu devia Leia mais sobreSobre o que vão dizer de mim[…]