O zen e a arte da escrita [Trabalho, relaxamento, não pense!]

Você olha para um homem como esse e não pensa na seriedade dele – não! Não, pois nessa foto ele sorri. Comprei-te em 2011, mas não te li. Fiquei sabendo de tua morte em 2012. Você morreu e só depois te conheci. Ao saber de tua morte, fui a Fahrenheit e pedi desculpas. Você merece mais, Bradbury.

Li uma matéria do Xico Sá, com título “Como perder a frescura e virar um escritor” e me interessei pelo livro indicado, O Zen e A Arte da Escrita. De ontem para hoje, comi com doses de café fraco (e ruim, ao melhor estilo Camila), chorando sobre o texto algumas horas. Ray soube tirar de mim o que há tempos estava lá.

Não tinha nada de imaginativo, no texto de um homem que construiu os contos em cima da própria imaginação. Era real e cru e se ele não escreveu esse livro, ou esses pequenos textos somados a capítulos, com o coração, seguindo pelo caminho suntuoso e estradas de ferro até seu próprio eu, não sei mais ler.

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Estou num caso de amor sério…

Eu ainda não decidi se estou num caso de amor sério com clássicos da ficção, ou se estou apaixonada por uma editora. (não, antes que alguém venha me falar bosta, infelizmente meu caso de amor não é patrocinado…)

Meu último livro lido foi Laranja Mecânica, pela Editora Aleph. Daí, que numa outra feira de livros, achei três livros que eu não achava para comprar já faziam mais de três anos:

Willian Gibson. Caso de amor antigo, reativado por uma nova edição.

Achei uma versão piratex há uns anos do Neuromancer, mas não consegui ler. Não sei por que, li uns pedaços e logo o larguei. Depois, procurei por Count Zero e por Monalisa Overdrive, mas não achei também, nem em piratex. Hoje, mais velha (e portanto, mais sábia), estava eu andando por aí e me deparo com essas belezuras. Pode isso? É mais que amor, muito, muito mais. Quem vê pensa que eu tô com dinheiro sobrando, mas não, é só a impulsividade por achar um livro que se queria há muito, somada a um cartão de crédito…

Reconhecimento de Padrões é o último livro lançado pelo Gibson, que segundo quem me vendeu, logo sai a segunda parte. Pelo pouco que andei lendo por aí, me parece que a temática dele nada tem a ver com um Estados Unidos destruído, como em Neuromancer, mas uma coisa totalmente atual, onde a protagonista é uma marqueteira meio que cool hunter. — Aliás, eu tava olhando outro livro da mesma editora, e reza a lenda que isso vai virar profissão, um tal de Cool CEO, um cara que conhece as modinhas internéticas tão bem, que é capaz de ditar “tendências” e estabelecer uma marca no mercado. […]

E já me sinto velha pra ler tudo o que eu queria ler.

Ray Bradbury (Autor de Fahrenheit 451), passou dez anos dentro de uma biblioteca, lendo tudo o que ela tinha a oferecer. Tem no máximo dez anos que eu comecei a gostar de ler. Penso cá com meus botões: Se eu somar 200 livros que eu li de verdade nesse tempo, não chego aos pés do Leia mais sobreE já me sinto velha pra ler tudo o que eu queria ler.[…]

Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Primeiro, quero agradecer ao WordPress. Por ter simplesmente sumido com a primeira tentativa de postagem sobre o livro. Valeu mesmo.

Quando eu era uma Devotchka, com meus 13/14 anos, Laranja Mecânica apareceu na sala de aula, em plena Filosofia. Violência gratuita horrorshow, nem assistimos até o fim pois não era só na minha litso, que estava estampada o estranhamento. A sala inteira ficou muito sem saber o que dizer, quando via Alex e sua turma, logo nas primeiras cenas do filme, batendo num homem e estuprando uma mulher, na versão de Kubrik. O professor levou um ótimo filme para a gente – a gente que não estava preparado para ponear ele. Mas o tempo passa, a gente aprende a gostar da boa e velha pancadaria, de króvi saindo das rots. Króvi espalhada na tela, de deixar a gente spugui. E volta praquilo que antes era só violência. Volta pra Laranja Mecânica, em livro. Por que né, como a gente bem sabe, o livro é muitas vezes melhor que o filme. Tive a chance de achar uma versão lindona do livro, com conteúdo extra, capa dura, laranjinha laranjinha, ilustrado, bem editado, feito com o maior amor e carinho, com cinquenta por cento de desconto. Fiz até, olhe só, um vídeo pra mostrar a belezûra. (Cabe um Obs.: Ignora o som, o tamanho e tudo o mais. Foca no livro).

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