E já me sinto velha pra ler tudo o que eu queria ler.

Ray Bradbury (Autor de Fahrenheit 451), passou dez anos dentro de uma biblioteca, lendo tudo o que ela tinha a oferecer. Tem no máximo dez anos que eu comecei a gostar de ler. Penso cá com meus botões: Se eu somar 200 livros que eu li de verdade nesse tempo, não chego aos pés do Ray. E pior, o que será que esse cara não leu? Eu tenho preconceito com best seller de ficção, com Chiklit. Eu tenho receio de ler Nietzsche e não entender. Nunca li Sartre. Nunca li Dos(toevski), nem Dickens, nem Joyce. Eu não li nada. Por outro lado, comi Bukowski, comi Anais Nin (quem dera), comi Xinran Xue.  To comendo bem devagarinho a Hilda Hilst. E Willian Gibson, de Neuromancer. Nabokov já deu seu ar da graça na minha mente, mas não fez festa ainda.

E eu fico pensando: como é que eu vou conseguir ler tudo isso, se eu ainda tenho de viver? Embora eu planeje viver de ler e escrever pelo resto da vida (se a dona morte me permitir e se a dona vida também..), como eu vou alcançar os mestres, se eu cá não consigo nem lê-los? Só não abandonei Marx, pois seu Manifesto Comunista não tem 100 páginas. Se eu cá fico protelando beber das águas e das lágrimas deles? Fico pensando. Eu sou é muito miúda, pra pensar em alcançá-los. Eu sou é muito tacanha. E nem começo a dizer que a vida que eles levavam nem se compara com a vida que nós levamos nesse século.

Vai sonhando.

É uma condição ingrata, essa a do leitor! Nunca chegaremos a completar nada. Nunca chegaremos a um patamar, a um pódium. Estaremos sempre atrás. Sempre atrás dos escritores. Engraçado essa visão de gato e rato. Pensar que sem o leitor, o Escritor perece.

Pensar, que numa floresta vazia, uma árvore que cai, não faz barulho.