O livro dos Seres Imaginários – Borges

Querer ler Borges e entender Borges são dois extremos. E garanto: Se consegui ler o bestiário dele, qualquer um consegue.

Não é com todo livro que esse deslumbre acontece, mas com esse, aconteceu. Bastou começar a ler o pequeno dicionário de bestas mitológicas, que já saí caçando um sem-número de outros mais. Borges faz aqui o que nenhum escritor faria em tempos recentes: catalogar com referência mais de cem animais que não existem – ou que pelo menos, não existem mais.

Li umas resenhas por aí e o que achei foi que este livro não é para ler de uma tacada só, é mais para referência. E sim, nisso concordo. Mas, se você não entender esse livro como um catálogo, mas como livro com começo meio e fim, vai logo perceber que não tem problema nenhum de lê-lo numa sentada. Que por sinal, se você gosta de textos clássicos que resgatam a Odisséia e seus semelhantes, vai abrir um pequeno sorriso entre uma página e outra. […]