Let The Games Begin! – Ou, O desafio de duas Mil palavras por dia

Stephen King, Prolífico que só, escreve duas mil palavras por dia e não solta a bunda da cadeira até que elas saiam. Tem que acredite que manter um diário é uma ótima forma de praticar a escrita, mas minha vida não tem tanta coisa assim, pra eu me prestar a escrever um diário.

Então, eu vou na onda das duas mil palavras, que se ficarem boas, eu ainda posto aqui. Bom, pra alegria ou não, eu vou postar elas aqui.

E esse foi o exercício de hoje:

Sobre a Piada da Pipoca: No OmmWriter tem sondtrack de teclados, que mais parecem pipoquinhas.

Era uma vez a minha história que nunca mudou e sempre mudará. (Isso parece
pipoca dentro de um microondas, é engraçado)
Eu sou boa com diálogos, desde que eles partam da vida, para o papel. Meus
diálogos de papel são bem ruins. Dá até medo.

Preciso de uma impressora. Mas uma impressora mágica, que vai me dar mil
folhas com um cartucho. A multi da minha mãe deu só oitenta folhas, não
resolveu nem um terço da minha necessidade. Talvez seja a hora de investir
numa. Foda é que se eu não tiver escrevendo, fica parada. E se a tinta
seca, wagner já vai torrar meu saco. E eu nem tenho um.

Tenho medo de abandonar você, senhor computador. De ficar sem tu. Sem meu
queridin iAWriter. Não que eu não goste do Omm, não é isso. Mas eu conhecia
o iA, seu concorrente antes. E já investi no app pra Ipad, pra Iphone e
todos os Is. Menos Imac. Talvez um dia eu tenha um, sei lá. Só sei que
agora tá muito caro. Tudo tá muito caro, agora. E eu vivo gastando om
roupas. Ê classe média. Se bem que tem quem diga que país de primeiro mundo
é aquele que tem noventa e nove da população que se declare classe média.

Mas os Imacs lá não custam dez mil! Gente… Enquanto meu boy compra um
computador decente, sem frescuras, por 1k, eu fico aqui reclamando que as
merdas da Apple custam cinco vezes isso. Não sei o que o governo tem com a
apple, mas dois anos atrás custava o mesmo computador, três e meio.

Três e meio é caro, mas né… Dá pra levar. E eu fico aqui reclamando de
preços. Isso é o que tem sido o ponto alto da minha vida. Isso e minha nota
baixa no grego. Eu devia estar estudando desde semana passada, semana que
vem tem prova. E a babaca aqui sem estudar, só de molho na cama.

Stephen King escreve duas mil palavras por dia. Fui olhar a contagem, deu
menos de quinhentos. King é muito prolífico. Eu fiz um pequeno projeto para
ler todas suas obras e se eu ler uma por mês, termino em três ou quatro
anos.

Inventei de conversar com mulheres feministas. Um grupo bem bobo no
whatsapp, até que é legal, eu dou muita risada. Mas mesmo que sororidade
seja uma pauta gigante no movimento, elas ainda ficam com essa de chamar
não-feministas de burras. Chamaram de burra uma menina que culpou a amante
do namorado, não ao namorado. Chamaram-na de irracional. Como se todas nós
nunca tivéssemos culpado outra mulher por nossas desgraças. Deu a entender
que a menina tem educação básica. Pior ainda. Ninguém com educação básica
pode ser chamada de burra, eu penso. A pipoquinha do meu teclado estoura, é
engraçado. Entre uma pipoquinha e outra sai um vibra do meu celular.
Certeza que são elas comentando alguma coisa.

Parece mais que as feministas estão para diminuir o homem. Talvez elas
mesmas não tenham entendido o feminismo, talvez eu esteja olhando de fora,
como sempre faço. Quando eu digo ‘meu homem’, me refiro ao oposto de ‘minha
mulher’, mas tenho a sensação que com elas, ‘meu homem’ quer dizer ‘meu
cachorro’. Até tem sentido. Mas não creio que isso é o que deve fazer uma
feminista. (esse assunto dá pano para manga para mais de duas mil
palavras).

Vi um vídeo uma vez sobre o motivo de uma mãe de meninos não ser feminista.
Ela cita a guerra e as manifestações recentes. Mil homens são mortos em
conflitos, uma mulher é morta. Do ponto de vista geral e bem cruel, a perda
de mulheres foi pouca. (claro, Não é nossa mãe ou nossa irmã, ela é apenas
uma mulher), mas a mídia vai tratar da mulher baleada em conflito e não dos
mil homens que foram perdidos.

Sempre foi nos dito que perder homem na guerra é o esperado. É uma festa
organizada por homens, para homens e as mulheres ficam em casa esperando os
que voltarem, para continuarem a população. O que tem nos salvo da guerra
esses séculos todos foi o útero. Ou a proposta de um futuro, não a cabeça
da mulher, ou seus músculos, ou suas paixões. A mulher tem sido poupada
pelo simples fatos de que ela pode fazer mais homens. A casa é o lugar
seguro da qual a mulher domina, enquanto o homem vai para a rua. Numa
versão 2.0 da caverna. É o baú onde a humanidade sempre guardou seu
tesouro.

Só que ninguém lembra que não somos uma jóia reprodutora infalível e com
cérebro. Ninguém dá a mínima o que a mulher quer, ou o que pensa. Desde que
continue com se projeto de ser mãe. É certo, tem quem queira ser mãe, tem
quem queira a segurança do baú e é por isso que estamos todos aqui, você
lendo e eu escrevendo. Nossas mães quiseram a segurança do baú. Ou ao
menos, era esse o plano. Não vou nem entrar no mérito da mãe solteira, que
vai contra a ideia do baú, uma vez que ela tem que ser a guardiã e a jóia
ao mesmo tempo. Como uma espécia de tesouro sem baú, sem proteção. Se é
chamada por vagabunda todo tesouro sem baú, então a alcunha me cabe muito
bem também. Eu que não perco um dia dentro do baú, enquanto o mundo lá fora
se transforma a cada segundo, enquanto os homens que saíram da caverna se
reuniram e se organizaram, enquanto projetam em silêncio e longe dos olhos
femininos um milhão de utensílios que eu, ou qualquer tesouro poderia ter
criado também.

O útero, meus queridos, foi o que fodeu a classe das mulheres. O fato que
podemos gerar mais vidas é a dor e a delícia. Nenhum homem conseguirá
reproduzir tão bem cópias de si mesmo. Nenhuma mulher vai nascer e morrer
sem a dúvida se prefere agir como o tesouro, ou o homem. Se vai sair e
conquistar, ou ficar e multiplicar. Hoje nós fazemos ambos, mas a que
custo? Minha mãe faz a ambos, mas a que custo? Quantos desejos dela foram
deixados de lado, só para que atendesse aos meus? Quantas vezes ela quis
esticar com as amigas para uma cerveja, mas preferiu ficar em casa comigo e
os meus irmãos? Não posso, nem vou, usar daquelas verdade universais de que
podemos fazer tudo, só vou usar daquilo que eu vi e vejo. Não se pode
conquistar o mundo e manter o baú saudável. Não, sem que o homem também o
faça. Não, sem que ele deixe de ser o homem e passe a ser o companheiro.
Alguém que caminha ao lado, não aquele que corre uma maratona por suas
mulheres. Não, enquanto o homem ver seu tesouro como propriedade. Não,
enquanto a mulher aceita-se objeto. Se o homem não se voltar para o baú, a
mulher não pode deixá-lo. Se o homem pensar que o baú é responsabilidade da
mulher, então a mulher jamais alcançará todos seus louros.

Digo isso, por que nem sempre é o marido que confina a mulher, mas antes
disso, fazem-no os pais. A mãe que prende a cabra e solta os cabritos, o
pai que manda a filha lavar a roupa, cobrir a bunda, lavar a louça, a trata
como princesinha amada. Não sei quem disse, mas já ouvi que o amor é o pior
contrato que pode assinar uma mulher. Por que há quem diga que o amor, se
não for libertador, não vale a pena. Mas então, por que me deram um
contrato? Por que meu pai, responsável por mim, me entrega de presente a
outro homem? O amor tem de ser libertário desde a infância, do mesmo modo
que se cria filhos homens para que estes saiam do colo da mãe, tem que ser
essa a educação das filhas. Que elas tenham consciência de si, de seus
cabelos, de suas curvas, de seus gostos, de seus amores, tal como fazem os
meninos, na calada da noite, longe dos olhos da mãe. Que tenham consciência
das outras mulheres, do mundo lá fora. E não do baú. Ter consciência do baú
é obrigação de qualquer ser humano, não só dela. Que a mulher não viva em
prol de procurar marido, que não viva em prol de arrumar a casa.

Por isso que eu penso, o grupo feminista de whatsapp ainda é muito fruto da
criação merda que recebemos. Estamos agora olhando para fora de nossas
casinhas, estamos agora em idade para trabalhar e levamos muito do baú da
mamãe e do papai, conosco. Somos conscientes de nós mesmas? Até somos, em
alguns aspectos. Mas não creio que o bastante, a ponto de ver beleza nas
outras. E não digo só beleza física, mas a beleza interna, os problemas
alheios. O que vejo é um misto de ouvidos, com problemas próprios. E os
problemas trocam como se o anterior fosse menos importante. As bocas trocam
como se fosse um apanhado de coisas jogadas ao vento sem a menor
importância. E não como pessoas conversando. A gente não sai da
superficialidade. Parte, eu sei, é por não nos conhecermos. Eu não me abro
com quem não conheço, é certo. Mas parte da anonimidade me dá segurança
para falar daquilo que eu não tenho coragem de falar com conhecidos. Então,
eu penso, a por falar com quem não tenho nenhum vínculo, as conversas
deveriam ser muito mais profundas. E não rasas, como são.

Eu vejo mulheres reclamando por se sentirem gordas, por não gostarem de
exercício físico, de “ainda ser quinta feira”, por provas na faculdade.
Esse é o problema delas, tudo bem. Mas por que a gente, quando fala de
homem, já os trata como cachorrinhos mal educado? Se procuramos homens que
sejam bons para andarem conosco e não por nós, então por que diminuí-los?
Penso que falta empoderamento neles também. Um homem, que se vê obrigado a
sair para trabalhar, a ser viril, a ganhar muito dinheiro, a satisfazer a
parceira em todos os requisitos, também tem medo de falhar. De não atender
todos os requisitos exigidos para ser um homem, com H grande. E se o H for
pequenininho, pior ainda! Por que eles acham que maior o pau, maior o
poder.

Penso que seja nocivo destratar quem queremos por companheiro. Senão vira
clube do bolinha, versus clube da luluzinha. Claro que a raiva das femis,
pelo que eu vejo, é direcionada a um tipo de mascu, um protótipo babaca que
espera que a mulher se guarde num baú. Mas se ele só viu esse tipo, como
pode imaginar que a verdade também pode ser outra? Como pode haver uma
verdade universal, se cada espaço, cada organização, cada tempo tem a sua?
Eu Não entendo… Como em pleno século vinte e um as pessoas ainda procuram
um modo único de ver as coisas, um modo perfeito. Gente, mulheres não
precisam mais da autorização do pai ou do marido, a gente se vira sozinha.
Tem mulher que ainda não, tudo bem, eu entendo. Mas por que me retroceder,
por que me tirar mais esse direito conquistado, em vez de mostrar pra ela
tudo o que ela pode alcançar, tudo o que ela pode ser? Eu ainda sou pouco
para o potencial da menininha do papai protegida a sete chaves no auge de
sua beleza física e intelectual, ela pode ir muito mais longe, ela pode ir
além de mim e de qualquer mulher que hoje se sente livre. Pois nós
enfrentamos pedras que já asfaltamos para ela passar. Se a consquista de
direitos fosse uma estrada, a menininha do papai passa de longboard por
onde passamos com tênis para trilha e vai vestir seus tênis de trilha bem
mais lá na frente. Nós tratamos de asfaltar aqui, ela asfalta lá, na vez
dela.

E não venham me dizer que a mulher já conseguiu todos seus direitos, inda
mais se você tem vinte e cinco anos e pelo menos uma graduação. Por que
direitos vai muito além da lei. O que a lei me concede não é o que ela me
concede. Na vida real. O que a lei me concede é o mesmo direito que
qualquer homem, mas o que meu pai, ou meu marido querem para mim, são
coisas que não estão na lei. Não entrou na cabeça deles de que eu não
preciso baú, nem um guardião. Que eu posso ser bem cuidada e feliz, por
mim.

Quando uma mulher diz que não precisa de homem para viver, não quer dizer
que os homens são desnecessários. Façam o favor de entender nas
entrelinhas, nós mulheres somos cheias delas. Dizemos que somos muito bem
sozinhas. E que se vier um homem para me tirar os direitos, que vaze
rápido. A gente até aguenta a vida com esse tipo por um tempo, mas pede
logo o divórcio. Não nos subestimamos mais a uma vida de choro e
sofrimento.

Por outro lado, no grupo de whatsapp, a gente fala de carreira e trabalhos.
Coisas que ficamos putas no dia, coisas que queríamos comer. Não trocamos
segredinhos de beleza, nem maneiras fáceis de agradar um homem. A gente só
fala daquilo que interessa. A nós. Apenas. E isso, acho que isso é um
trunfo que mascu nenhum vai conseguir tirar: o de deixar de ser o centro de
nossas vidas, a ser apenas uma parte dela. Agora, pelo pouco que sinto, o
centro de nossas vidas é…

TCHANAN

Nós mesmas. E os homens que nos tinham como centro de suas vidas, agora se
enraivecem. Como se devêssemos algo a eles. Não, nós não devemos nada! Não
devemos nada pelo simples fato de: Nós não pedimos. Se você foi criado para
ser Homem com esposa e filhos e a vida no trabalho, amor, não tá na hora de
você ir atrás também de você e pensar menos em obrigações? O cara que fica
bravo por que não nos importamos mais com ele, é certo que não se importa
nem um tico consigo mesmo. Um tipo que espera de nós qualquer afirmação de
sua masculinidade. E isso, isso tem de monte. Pois o ideal masculino não é
para ser conquistado. É um tipo que foi criado para alienar e desorientar.
Um herói romântico que virou arquétipo caricato. Uma coisa que eu não quero
chamar de meu marido.