Azul é a cor mais quente [Filme + HQ]

Colocar essas gracinhas no +18 é até maldade, mas acho que esse é o lugar delas. Tanto os quadrinhos quanto o filme têm cenas… mais inadequadas, eu diria.

O frenesi em cima deles foi justamente em cima disso, o tal do *sexo lésbico*. Só que, mesmo que tenha ganho boa dimensão nas telas, em francês o nome estava como “La vie d’Adele” – que nem precisa de tradução. E os quadrinhos é como em português mesmo, “O Azul é a cor mais quente”. Não se trata de uma obra de pornô pra homem, com duas mulheres de salto alto e uma luz ruim.

O HQ mostra tanto o amor da Adele por Emma (a moça do cabelo Azul), a atração e tudo o que um romance hétero teria, mas não só. Mostra o lado “ruim” da homossexualidade, tanto por ignorância dos pais que preferem abandonar uma filha, quanto pela sociedade em não aceitar que elas se casem. É sensível, mas bem crítico.

Sutil, eu diria. E o traço segue pelo mesmo caminho. Claro, como esperado, ele inteiro é em tons frios.

Enquanto o filme, tem uma versão mais “free for all” com umas cenas até que bem longas de sexo. Serve até de manual para quem faz aquela terrível pergunta “como é que vocês transam?” não fazer mais. Adele vai à Paradas Gays, mas é mais subjetiva, a crítica. Tem aquele lugar comum de “saí do armário, agora meus amigos estão me ignorando”, mas não tem muito mais que isso. Tem mesmo é uma história de amor mesmo, com brigas, traições, bem romântico até, no passar dos anos das duas.

Coisa que acontece em ambos formatos e ambas óticas: o tempo passa. Elas vão da adolescência à vida adulta, até se casam e fica aquele clima de vida casada como com casais héteros, onde tem amor, mas não aqueeeeeeele amor. (Tanto é que se você der uma googlada rápida, o que mais tem é posts sobre “como apimentar a relação – o que é uma metáfora bem infeliz, eu diria. Odeio pimenta).

Eu, por não gostar de ler uma obra que já tem filme, adorei ver que as histórias não são as mesmas. Uma completa a outra e você fica adorando as duas personagens, mas adora muito muito muito mais a Adele, enquanto tem uma quedinha pela Emma, que nem a Adele. É um exercício. Se a literatura e as artes são para evoluir o ser humano, quando você vê duas pessoas diferentes tão escancaradas para o público, tão cruas e tão simples, tem quem pare de pensar na sexualidade e na homossexualidade como um bicho de sete cabeças.

Uma coisa que ambas (obras) souberam muito bem fazer é aquela maravilhosa ferramenta de identificação, que todo livro bem vendido sabe fazer. Você se coloca na pele. E quando volta para a sua própria, pensa que nada é assim tão absurdo, para não terem aprovado ainda o Casamento Igualitário. :S

Outro filme bom na mesma temática que era curta, depois virou longa, é aquele “Hoje eu quero voltar sozinho“.