e.e. cummings poem(a)s

Ler e.e. é tão ou mais difícil do que eu esperava. Falta costume de lê-lo, mas também falta vocabulário. Falta sair da caixinha do meu inglês escolástico verb-to-be. Como o tradutor Augusto de Campos vai citar de Trilling na Intro:

Cummings (sem piadinhas, faz favor) foi elogiado por Pound e fez da poesia moderna muito mais que o verso livre, que até hoje, tem quem odeie. Ele brinca com as palavras e as formas, distorce o visual, retorce, busca lá de longe as influências, como quebras e costuras latinas e gregas. Ele inclusive, bebeu muito desta fonte. Não tanto quando Keats, eu diria. Mas que bebeu…

Há também uma visível preferência pelas minorias, pelas mulheres, os negros, as crianças. Tudo o que não tenha poder. Escreve e com gosto:

Um político é um ânus no

qual tudo se sentou exceto o humano.

Tem aversão ao poder e também a preconceituosos. Vai na contramão do commonsense e também a fórmulas pré-fabricadas. Tanto que sua estética é tão diferente que os críticos da época insultavam-no com “isso é tipografia, ou um puzzle?” o que ameniza a minha culpa por não conseguir ler o original.

Este não é o primeiro livro que de Campos traduz de Cummings, na verdade, de anexo aparece uma seleção de cartas trocadas. Nesse, eu não posso falar dos outros, saber qual foi a linha escolhida para a seleção, mas este aqui tem seleções de poemas no começo da carreira e poemas maduros. Dá para ver a transformação acontecer e é bem bonito. Ver o verso livre tomar forma e depois, para uma leiga que não leu nenhum ensaio, só saiu aqui cagando suas impressões, sem sentido algum!

Vejo que, pelo jeito de escrita, Bukowski bebeu desta fonte não por sua forma, que era verso livre, mas pelo conteúdo. O Sexo erótico do início da carreira e a relação eu diria até que transcendental, da maturidade. Se bem que transcendental não é uma palavra boa nem sozinha, coitada.

^ O grande alarde que fizeram aqui nos BR, por conta do moço.

O que eu achei mais fenomenal de todos os poemas – que eu já usei até para ganhar nota – e onde ele me ganhou foi nessa belezura de poema chamado “No thanks to” (não agradeço a) em forma de urna grega para as catorze primeiras editoras que o recusaram. Sim, houve CATORZE gentes que disseram-lhe não. E se bem posso me lembrar, só foi publicado por conta própria. As editoras acharam A) muito arriscado ou B) eram como seus primeiros críticos que só sabiam falar o quão porcaria aquilo era.

Outra coisa, que antes de lê-lo eu já tinha referência é a lindeza da Ana Carolina que leu parte do poema que no livro só leva o título “4”: