Sexo Oral e a Música

Uhal. Eu vou mudar de tema assim. Mas, quem quer que chegue a essa postagem, ouça essa música.  Letra e Tradução

A gente, pelo contexto, entende o que quer dizer a letra e a música, né? Não tem nenhum tonto aqui. Tem um elogio bem claro de alguém que chupa e tem também os versos de uma Rapper feminina. Não está em discussão a qualidade da cantora ou da Rapper, em 2014. Uma das duas seguiu um caminho que eu gosto (assumiu seu tamanho e parou de encaixar nos padrões) a outra, entretanto… Enfim.

Essa música saiu há quatro anos. Ambas artistas já saíram desse trabalho e fizeram muitos outros. Agora veja isso.

Se você conseguiu ver o clipe até o final… Bem, parabéns.

A segunda fez um sucesso danado, isso é fato. Com clipe, produção, umas moças bonitas atrás, essa coisa toda. A primeira não. Fez a música, na minha opinião, uma música muito boa, mas ficou por isso mesmo. Ambas falam do mesmo tema, que é o sexo oral feminino (escrevi, mas veja! Acho que foi desnecessário). A primeira, mesmo que seja explícito, tem uma pegada mais discreta. Fala, mas não fala na cara.

All the boys think it’s cake When they taste my, (Todos os garotos pensam que é bolo quando provam a minha) Cristina.

 

 

Head on swivel neck till I quivel (Vá para o Rabo chupe até eu gozar), Iggy.

É ótimo que existam músicas que falem de outra coisa que o prazer masculino. Acho justíssimo, inclusive, super necessário. Só que vamos combinar uma coisa? Estilo conta. Uma coisa é falar de “sexo e drogas” e outra coisa é falar de sexo. Óbvio que o público da Iggy não é criança, mas senhos do céu, o que esse menininho está fazendo no Clipe? Eu não consigo ouvir a música até o final. Eu, enquanto público, fico desconfortável. É desagradável. Talvez, digo sem pretensão de comprovar, a intensão seja justamente uma versão feminina do Rap sujo masculino. Tudo bem por mim. Só que a versão feminina, em minha sincera opinião, foi mais negativa do que positiva. Ela é, querendo eu ou não, uma figura poderosa. Canta, faz sucesso, essa coisa toda. Tudo bem por mim. Só que ela é porta voz também de uma geração de cantoras de Rap que virão depois dela. Brancas, claro. As pretas tem muitos outros exemplos, melhores inclusive, para ser comparadas.

Mulheres devem falar de sexo, do próprio sexo, o quanto bem entenderem e como quiserem. Quem sou eu para julgar? Só que, de novo, o clipe e a música, trouxeram mais repercussões negativas que positivas. Quem, ao passar pela finada MTV, entendendo inglês a esse ponto, deixa a filha ver isso? Permite Iggy Azalea em casa, sendo essa a postura dela? É sério. Por que tratar de sexo oral feminino, um tabu colossal (por que aliam boceta ao cheiro de bacalhau, o que é a maior babaquice da face da terra e, tendo homem que se diz hétero que não chupa a própria parceira) dessa maneira é tipo… eu não sei. Estou enfurecida. Por que é injusto ter tão pouca arte voltada para falar desse tema e a que faz sucesso é justamente essa. Não tem problema falar disso, como eu disse, acho necessário. Só que… colocar as pretas de pano de fundo para essa branquela, um moleque desse tamanho, com ela deitada aonde está deitada… Pra quê? E ela ainda fala “boceta como essa não existe”. Tudo bem, bom que ela valorize o próprio sexo, mas pera aí. Ela menospreza todas as outras. E depois canta: “todas essas vadias me invejam”. Gente, embate feminino? Em pleno 2015?

E aí ela termina com a frase que pra mim, é a mais emblemática da “””canção”””

When YOU cum, I run (quando você goza, eu corro).

Mina, não era sobre o quanto você é poderosa, seu sexo é poderoso, sua boceta era doce e o escambau? Por que esperar o cara gozar? Parece que você é foda entre as mulheres, mas esta servindo um homem. Entendi a parte do relacionamento, que você corre por que não quer relacionamento. Minha boceta é sensacional e você TEM que fazer por merecer. Seria uma música menos pior se fosse “when I cum, I run (e foda-se você)”.

Agora, a da Aguilera, mesmo que não tenha a mesma repercussão que a da Iggy, eu diria, é melhor. Por que ela está chamando alguém para dar aquele trato. Não tem clipe, mas não precisa. Você ouve, entende o que ela quer e o que diz. E melhor, não tem palavrão. Crianças ouvirão, não entenderão e os pais não precisam explicações elaboradas. Empodera o sexo oral feminino, mas não esculacha. Eu gosto dessa.

Se alguém me pergunta músicas sobre esse tema (numa conversa de bêbados, só pode), eu indicaria as duas. Não consigo ouvir a Iggy por que eu não gosto dela, a acho um fantoche de homem, falando sério. E das racistas, viu?. Mas indico, por que de alguma forma, fala sobre o tema e o o “controle sobre si”. É o que a gente tem, em pleno século 21, sobre o tema.