O Caso Jorge – Ou, a Amargura que não Justifica.

Post recheado de Spoiler, então, se não está em dia com o capítulo 28, não o leia.

Acontece o seguinte: Há uma bela diferença entre a Relação do Lipe e a Dê, com a relação do Jorge e a Bia. Enquanto o Lipe e a Dê, o casal central deste livro, são dois adolescentes cujas únicas preocupações eram a faculdade, a carreira e o amor, a Bia, não. Nem falemos do Jorge, falemos da Bia.

A Bia sofreu alguma coisa não esclarecida. Sabemos que houve um Sérgio. Sabemos que a Bia não confia em macho. Sabemos. Ela já deu este exemplo mais de uma vez. A Bia transa, mas não se relaciona. A Bia transa, pura e simplesmente. A Bia não quer saber de namoro ao passo que o sonho da vida dela é ser mãe e esposa. Contradições que, no contexto, até se explica. A Bia não é dura porque é dura, a Bia ficou dura. E isso faz muita diferença, se você lembrar como é que Sérgio apareceu na vida dela, prometendo mundos e fundos, estando ele casado.

Jorge era um moço bonito, solteiro, paulista, cowboy, rico e livre.

Combinação perfeita para uma Bia, que vinda para São Paulo para cuidar de seu filhote, o conhece. Todo mundo sabe disso, está escrito. Bia e Jorge começam um relacionamento de chove-e-não-molha. Ela não quer namoro sério e ele está doido por ela. Acontece. Ela já teve exemplos suficientes na vida para não se deixar abater por qualquer homem que se aproxime trazendo o totem do amor.

Como ela mesma vai dizer, tem que transar muuuuuuuito bem antes de sair por aí dizendo que está comendo Bia Botelho, né não?

O Livro só é bom quando te deixa ruim consigo (1)

Jorge, de primeira instância, o príncipe perfeito e apaixonado que ama sozinho, dá às irmãs o bilhete premiado em forma de cavalo. Apolo é o início do império das duas irmãs. A Bia, que não vai fazer nada sozinha nessa vida, divide com a irmã e as duas, unidas sempre, vão a Portugal.

Não interessa aqui os motivos de elas terem ficado oito anos em Portugal, mas elas ficaram. A Dê escolheu a hora de voltar para casa. Com todo o cenário de fundo que a Bia tem, Jorge, casado, dá um beijo nela. Jorge, casado, com a filha loirinha no colo, dá uma cantada nojenta nela.

Quer dizer, Jorge escolheu casar. Jorge deu o cavalo justamente para que queria que ela voasse, mas não queria amar sozinho. Jorge colocou a Bia na rota do mundo. Jorge foi, de primeira instância, o grande benfeitor da causa das Botelho.

Só, que ele quem escolheu tocar a vida, do mesmo jeito que o Lipe escolheu não tocar. O Lipe poderia ser o Jorge casado e com filho, mas o Lipe escolheu esperar a Dê dele. O Jorge não quis esperar ninguém. Casou. Tocou com a vida, vida que segue. E que culpa tem sua esposa, Roberta, de ele ter sido apaixonado numa outra moça, anos antes? E que culpa tem Bia de ele ter escolhido tocar a vida? Ninguém é responsável pela vida de ninguém, todo mundo é grandinho o suficiente para assumir a própria luta.

Quer dizer, a culpa de o Jorge se tornar um possível agressor da própria mulher com quem ELE escolheu casar, é da Bia? Gente!

Não foi isso o que eu escrevi. Não foi. O Jorge é grande, adulto, homem. Tem grana. A Bia não era obrigada a namorar com ele se não quisesse e, evidentemente, ela não quis. O Jorge não era obrigado a esperar por ela (assim como o Lipe também não era), mas é obrigado a respeitar a moça com quem ele casou! Ele afirmou laços com ela, meu deus, não a Bia! A Bia gosta do Jorge e foi lá para vê-lo assim que pisou de volta no Brasil, mas isso não quer dizer que tenha sido a mão dela que guiou o braço dele para o rosto da Roberta.

O Jorge deu um cavalo para a Bia porque QUIS, casou com outra porque QUIS, fez filho com a outra porque QUIS e nada justifica agressão. Rolou mesmo agressão? Seu Messias batia mesmo na Dona Amélia? Jorge virou alcoólatra porque QUIS também! Todo mundo enfrenta um monte de obstáculo na vida e você não está vendo todo mundo bebendo até cair. Ou está? Se ele encontrou na bebida um modo de se curar da vida, não venha colocar a culpa na Bia que ele ESCOLHEU não amar mais!

Meu, isso me inflamou de um jeito, que putz… Estragou meu dia. E tem mais essa também, de a Dê se valorizar. Quer dizer, tudo bem ser mosca-morta, não se amar, não gostar do que vê no espelho, foda mesmo é dar para quem quiser?

Olha, desculpa falar, mas este tipo de pensamento não é bem-vindo no meu livro. Este tipo de pessoa não é bem-vindo no meu grupo, na minha vida, nos meus círculos. Não quero, não mereço.

Se você, de alguma forma, compactua com este pensamento, por favor, nos dê licença, que eu não escrevo para este tipo de gente.

Você não é bem-vindo, me desculpe.

crush

  • Maricele Pinto

    Perfeito

  • Camila Sauin

    Eita mulher braba =0
    mas eu super concordo com você ! E só pra te dizer, em momento algum, eu interpretei todas as suas histórias com pensamentos como o do comentário citado; pois as suas narrativas são sempre muito claras e explicativas.
    Acredito que as pessoas que pensam dessa forma, se sentem culpadas ou passam/passaram por alguma situação do tipo. só pode.
    é de tirar do sério mesmo ….
    beijos amada.

    • Camila Braga Marciano

      Eu sei, nega, divergência de opinião é lindo, adoro isso!

      O que não dá é pra justificar a desmesura do Jorge como se fosse culpa da Bia, né…

  • Camila, casa comigo?
    Mana do céu, essa madrugada tava eu e uma amiga falando sobre isso, porque foi impossível não ver as bostas no grupo do fb e nos comentários do wattpad. Fiquei tão feliz lendo esse post, porque a maioria das autoras iam deixar passar, “não vale a pena discutir”.
    Você é maravilhosa demais, af <3

    • Camila Braga Marciano

      Não deixo essas coisas passarem, cara, não tenho sangue de barata… Não dá pra exigir um país melhor engolindo sapo, né!

      Obrigada por ter lido, Ellen!

  • Caroline Pavret

    Concordo com você Cams, NADA N-A-D-A N A D A justifica agressão!

    • Camila Braga Marciano

      Pode ser lindo e gostoso o quanto quiser, nada justifica!

  • Elen Mattos

    O que essa sua humilde leitora pode dizer?
    Coração entristece em saber que ainda existe pessoas mesquinhas assim.
    Texto maravilhoso. Por mais pessoas assim <3

    • Camila Braga Marciano

      O que está humilde escritora pode dizer, também? É difícil saber o contexto em que as pessoas estão inseridas para que pensem de forma tão mesquinha…

      Mas que dá um nó na garganta, isso dá!!