O Uivo

Allen Ginsberg, que antes uivava e agora mia nas cadeiras das universidades públicas

Aviso: Esta é uma pequena brincadeira com uma coisa da geração beat que vem me incomodado recentemente. Se você nunca leu nada sobre o poema “O Uivo”. dá uma olhada nisso aqui:

É uma versão cagada, mas ainda é uma versão. Tendo isso dito, agora sim, vamos à brincadeira.


Eu vejo as grandes cabeças das minha geração enfiadas em salas minúsculas com salários de fome e nenhum vínculo empregatício. Eu vejo as grandes cabeças da minha geração com mais acesso à informação como nunca antes e nenhum ânimo de progresso.

Eu vejo as grandes cabeças da minha geração enfiadas em namoros por medo da solidão, sentadas em cubículos alugados em conjunto comendo miojo e tirando notas baixas sem saber o que fazer para pagar o aluguel do mês que vem.

Eu vejo as grandes cabeças da minha geração rindo de nervoso. Usando saias compridas por meio do ônibus. Enfiadas nos cantos dos bancos enquanto homens com trombose no saco não sabem o que é “espaço público”

Eu vejo as grandes cabeças da minha geração chegando em casa com soco-inglês feito de chave. Eu vejo as grandes cabeças da minha geração brigando por medo de restar sozinha. Eu as vejo dilaceradas por um silicone, comidas por mágoa do pai e esquecidas nos fundos das salas em que os professores elogiam os como ele.

As grandes cabeças da minha geração não vão marcar a história. Seremos clandestinas, falaremos de sexo, reclamaremos dos salários. Não queimaremos sutiãs nem calcinhas, andaremos peladas, o fluxo de menstruação escorrendo pelas pernas e alguém vai nos gritar – NOJENTAS!

E então as grandes cabeças da minha geração vão olhar para as gerações mais novas, rir do fluxo de vida vermelho, ofereceremos absorvente umas às outras não só no escondido do banheiro onde ser mulher é permitido, mas nas mesas da lanchonete, no meio da rua. As grandes cabeças da minha geração serão as primeiras a receber poema que não fale de nosso ventre ou nossa feminilidade. Que não escreverão poemas de amor. Que vão escolher o onde e o como dar luz. As grandes cabeças da minha geração vão subir no palco. Vão receber o óscar de melhor direção. Vão dirigir calhambeques tão velhos e consertá-los com um clipes. As grandes cabeça da minha geração, seu Allen, vão dar um banho na sua.

Porque ao contrário da sua, nós não seremos expulsas da faculdade, ensinaremos lá. Não choraremos em apartamentos. Pela primeira vez na história não choraremos bonitinho. Saberemos o quanto somos lindas e não precisaremos de canção para isso. Não viajaremos em grandes doses de óleo dísel porque não teremos tempo para isso.

E algumas de nós, ainda assim, vão se olhar no espelho, na calada da noite, sem ritalina ou álcool, e não vão entender o mundo e como nós viramos os expoentes da nossa geração.

Esqueceremos as grandes cabeças que vieram. Montaremos um império suposto do zero sem saber das que vieram e fizeram antes porque a sua geração, vossos expoentes, esqueceram-se, ou, não quiseram, cantar sobre elas.

A quantidade de mulher brilhante que os expoentes da sua geração esqueceram de contar vai fazer as expoentes da minha se sintam sozinhas na linha do tempo.